Cepan implementa unidade demonstrativa de agrofloresta em Murici/AL

Postado em 12/11/2021

Sistema Agroflorestal desenvolvido servirá como termômetro para analisar o potencial da técnica para implantar modelos de restauração florestal com fins econômicos na Paisagem Serra do Urubu-Murici

O projeto de Identificação de Oportunidades Econômicas e Ecológicas para Restauração Florestal na Paisagem Serra do Urubu-Murici chega à reta final neste novembro, após intensos meses de atividades executadas pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan). Em parceria com SAVE Brasil e WWF-Brasil, a instituição implementou uma unidade demonstrativa de Sistema Agroflorestal (SAF) e ministrou curso virtual de Restauração Florestal para pessoas que atuam em conservação ambiental na região.

Considerado um ponto estratégico para conservação da Mata Atlântica, devido a sua grande riqueza biológica, a Serra do Urubu-Murici, entre Pernambuco e Alagoas, é uma paisagem singular, marcada também por minifúndios e assentamentos. Nesse cenário, as agroflorestas são bem-vindas, pois possibilitam unir espécies agrícolas – que geram renda e segurança alimentar – e tipos florestais nativos – que servem de habitat para a fauna única da região. Segundo estudos da SAVE Brasil, a paisagem abriga 18 espécies de aves endêmicas globalmente ameaçadas.

Servindo de termômetro para analisar o potencial da técnica para a restauração dos ecossistemas nativos da região, o projeto implementou, entre os dias 16 e 17 de setembro, um Sistema Agroflorestal em um lote do assentamento Dom Hélder Câmara, no município de Murici/AL. O desenvolvimento se deu após análise estratégica com grande participação dos moradores locais. A área, de aproximadamente 1.600 m², reúne agora espécies florestais nativas, além de áreas de cultivo com vegetais, leguminosas e frutíferas.

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“A princípio, o desejo era ter o maracujá como carro chefe do SAF, mas juntos fomos alinhando e conseguimos reunir uma variedade de frutas cítricas – laranja, lima e limão – outras frutíferas como banana e abacaxi; herbáceas tais quais milho e feijão, dentre outras espécies nativas, como ipê e sucupira”, relata a coordenadora técnica do Cepan, Fabiane Santos. A gestora conta que, após o planejamento, o Sistema Agroflorestal foi implementado com a devida preparação do solo e cultivo através de duas técnicas – Plantio de Mudas e Semeadura Direta.

“Estamos completando 50 dias de implementação e o crescimento dos indivíduos está sendo bastante satisfatório. A área apresenta um verde intenso, e já estão surgindo as primeiras flores das espécies enxertadas. A expectativa é de que os primeiros produtos comecem a ser colhidos a partir de um ano do cultivo”, relata Fabiane, destacando ainda a participação coletiva no desenvolvimento dessa agrofloresta. “De crianças a idosos, homens e mulheres, foi muito bonito ver o senso de união e de comunidade, o envolvimento de todas e todos durante o processo de implementação”, conta ela.

Finalizando oficialmente o projeto, haverá ainda a implementação de uma segunda e última unidade demonstrativa, através da técnica de Condução da Regeneração Natural. A ação vai acontecer até final de novembro na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Pedra D’Antas, em Lagoa dos Gatos, no lado pernambucano da paisagem. No futuro, o monitoramento das áreas demonstrativas deve apontar informações e soluções mais efetivas para a conservação da biodiversidade local.

CURSO ONLINE – Equipe da SAVE Brasil e atores sociais engajados pela conservação da Paisagem Serra do Urubu-Murici participaram de uma capacitação online para desenvolver habilidades na temática de restauração florestal, de forma a aprenderem a proteger a biodiversidade local em longo prazo. O Curso Prático de Restauração Florestal na Mata Atlântica, desenvolvido pelo Cepan especialmente para o projeto, foi realizado virtualmente entre setembro e outubro, contemplando um público-alvo de 30 participantes.

Ao todo, foram 30 horas de conteúdo ministrados em oito módulos, através de aulas via videoconferência. O curso conferiu orientações sobre fundamentos, metodologias e aplicações da restauração florestal na Mata Atlântica, além de características do bioma. No campo prático, foram ensinadas técnicas de manejo de sementes florestais nativas, produção de mudas, planejamento e elaboração de projetos executivos de restauração. Com o curso, o público da região ganha mais autonomia e conhecimento para atuar em futuras atividades de restauração florestal.


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