Oficinas diagnosticam cadeia produtiva da restauração florestal na Paisagem Serra do Urubu-Murici (PE-AL)

Postado em 01/06/2021

Encontros virtuais, promovidos em parceria entre Cepan, SAVE Brasil e WWF-Brasil, levantaram primeiros dados para entender o cenário ecológico e econômico local para nortear a restauração florestal da região

A Paisagem Serra do Urubu-Murici (PE-AL) está cada vez mais perto de ser restaurada. Oficinas virtuais realizadas pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) em abril passado diagnosticaram oportunidades e desafios para a restauração florestal da região. Relatórios preliminares divulgados neste fim de maio revelam dados estratégicos que ajudarão a nortear atividades para mobilizar e capacitar atores sociais e organizações que podem colaborar com o projeto.

Um dos desafios é incrementar a produção de mudas e sementes por parte dos produtores locais de insumos, a fim de atender as atividades de restauração florestal. A capacidade média de produção atual dos fornecedores consultados é de 279,5 mil mudas de espécies florestais nativas por ano, insumo que atenderia a cerca de 167 hectares de áreas restauradas via plantio total de mudas. 

No cenário de coleta e produção de sementes, apenas um fornecedor foi identificado até o momento, com capacidade para produzir 1.560 kg de sementes por ano, número incipiente para atender a demanda de plantios via semeadura direta, técnica que confere oportunidades de estruturação de núcleos de coleta e beneficiamento de sementes na paisagem. Os números levantados ajudam a entender quais técnicas são mais eficientes para o território e quais possíveis parceiros podem vir a fornecer insumos e atuar na linha de frente.

Estes foram alguns dos dados apurados durante quatro oficinas virtuais promovidas pelo Cepan. Os encontros virtuais mobilizaram, ao todo, 97 pessoas de 53 instituições locais, englobando uma diversidade de atores sociais, instituições, produtores e fornecedores de insumos, representantes do setor público, organizações não governamentais, empresas privadas e proprietários de terras.

“As oficinas foram importantes oportunidades de obter informações para o diagnóstico da cadeia produtiva na paisagem Serra do Urubu-Murici, permitindo a troca de saberes e experiências, e gerando novas conexões a fim de agregar os diferentes setores da sociedade para debater sobre a temática da restauração”, avalia Fabiane Santos, coordenadora técnica do Cepan. 

Entre as ações previstas para potencializar o cenário atual estão a identificação de novos atores – como assentados e responsáveis por viveiros universitários – e a realização de cursos para conferir conhecimento técnico especializado para fortalecer e aumentar a produtividade e qualidade de insumos e ações executivas. A primeira formação deve acontecer em agosto. “O curso prático de restauração florestal da Mata Atlântica está sendo desenvolvido para fortalecer as capacidades técnicas de atores locais, estando alinhado, também, à seleção de unidades demonstrativas para implantação de modelos de restauração com viabilidade econômica”, adianta Fabiane.

Logo em breve, outras novidades devem surgir. Em parceria com um Grupo de Trabalho Geoespacial, o Cepan vai obter uma análise detalhada das áreas para entender os potenciais ecológicos e econômicos para a restauração. Com 450 mil hectares, a Paisagem Serra do Urubu-Murici, entre Pernambuco e Alagoas, abriga fragmentos de Mata Atlântica com rica diversidade de espécies de fauna e flora. Os estudos visam subsidiar tomadas de decisão para construir corredores ecológicos, conectando e incrementando trechos de cobertura vegetal nativa para proteger a biodiversidade local e criar novas oportunidades para comunidades locais. 

O projeto é uma realização da SAVE Brasil em parceria com Cepan e WWF-Brasil. Conheça mais sobre a Paisagem Serra do Urubu-Murici.


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