Esforço para restaurar um dos pontos mais importantes da Mata Atlântica se estenderá por quase 50 hectares
Há quem pense que a Mata Atlântica é um bioma que só existe hoje no Sudeste brasileiro. Além de um “erro conceitual”, explica o geógrafo Joaquim Freitas, coordenador geral do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), essa suposição ignora que os fragmentos florestais restantes da Mata Atlântica nordestina “estão entre os mais importantes do país”. Concentram-se ali, da face norte do rio São Francisco até o estado do Rio Grande do Norte, além de encraves no Ceará, um grande número de espécies animais e vegetais, muitas das quais só se encontram naquela região específica do globo. Algumas, inclusive, estão em ameaça de extinção.
É verdade, porém, que os diversos ciclos econômicos que se sucederam no Nordeste desde os tempos da colonização devastaram boa parte – mas não toda – a Mata Atlântica originária. Sobretudo a produção canavieira, que prosseguiu por séculos em algumas localidades, quase exauriu o solo de certas regiões. É para preservar os fragmentos remanescentes e, mais do que isso, expandi-los, protegendo assim a sua forte biodiversidade, que o Cepan tem executado plantios nestes trechos de Mata Atlântica. A ação mais recente se estenderá por 48,5 hectares, concentrados em pontos da Paraíba, do Agreste pernambucano e da Zona da Mata sul do mesmo estado.
Além do evidente benefício de proteger a riqueza natural deste bioma, os plantios realizados cumprem uma importante função socioeconômica. É que as sementes nativas utilizadas pelo Cepan são adquiridas de coletores de base comunitária, o que se torna uma fonte de renda para essas pessoas e auxilia na preservação dos biomas onde elas residem. No atual plantio, para citar alguns exemplos, foram compradas sementes do grupo coletor Tupyguá, formado por indígenas de Aracruz, no Espírito Santo; do viveiro Primaflora, em Prado, Bahia; e da rede de sementes Maracajá, de Lagoa dos Gatos, Pernambuco, além do grupo coordenado pela EcoOcelot, na Paraíba.

Sementes utilizadas nos plantios do Cepan vêm de grupos de coletores comunitários, favorecendo o seu desenvolvimento econômico e a proteção dos biomas onde eles residem. Na foto, é possível ver parte das sementes que já foram plantadas.
“Todas as comunidades que participaram já tinham relação prévia com o Cepan, estruturando-se junto conosco. Nosso objetivo é também empoderar esses grupos”, conta Joaquim Freitas. Nesta rodada de plantio, os grupos receberam, ao todo, R$ 166 mil, recurso financeiro que reforça a possibilidade de recebimento de renda vinculada à floresta conservada e gerando oportunidades de complementação de renda relacionada às ações de restauração..
Os plantios são realizados no período de chuvas, o que favorece o crescimento das plantas. Vinte e nove espécies nativas foram plantadas, todas com grande importância econômica, ecológica e alimentar. Há o Jatobá (Hymenaea courbaril), o cajazinho (Spondias mombin), o araçá (Psidium cattleyanum) e a goiaba (Psidium guajava), entre muitas outras. “Essas espécies frutíferas, além de fornecer alimento para quem quiser fazer a sua coleta, atrai a fauna, o que é importante para dar mais resiliência e funcionalidade para essas áreas de restauração”, explica Freitas.
Um dos plantios executados em Joaquim Nabuco (PE), aconteceu na Escola de Referência em Ensino Médio Governador Eduardo Campos. Lá, o Cepan realizou um plantio educativo com os estudantes, instruindo-os sobre a importância da Mata Atlântica nordestina. Ações práticas como essa costumam ser efetivas na sensibilização da restauração de ecossistemas por jovens, engajando esse público em futuras ações.

Depois de uma palestra com o coordenador do Cepan, alunos tomam as enxadas para restaurar a Mata Atlântica nordestina
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