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Dia do Agricultor e da Agricultora (28/07): Sistemas Agroflorestais agregam florestas e agricultura sustentável

Implementando primeiras restaurações através desta técnica, o Cepan celebra a data lembrando a importância dessa metodologia por unir conservação da biodiversidade e produção agrícola

Você conhece os Sistemas Agroflorestais (SAFs)? Essa é uma importante técnica de restauração ecológica, que une produção sustentável de alimentos e conservação de biomas nativos. Neste Dia do Agricultor e da Agricultora, 28 de julho, o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) chama atenção para os benefícios dessa técnica, enquanto inicia a implementação das primeiras agroflorestas em seus projetos.

A técnica permite um plantio combinado de diferentes espécies, consorciando, principalmente, espécies florestais nativas variadas e cultivares agrícolas. Extremamente versáteis, os SAFs podem combinar, a depender das necessidades e interesses dos produtores rurais que aderem à técnica, árvores frutíferas e madeireiras, hortaliças, vegetais, plantas medicinais e até mesmo pasto e criação de animais.

Adequado principalmente aos minifúndios, os Sistemas Agroflorestais permitem uma produção de alimentos sustentável, uma vez que a técnica promove a inclusão de arranjos diversificados de espécies que realizam diferentes funções no ecossistema, como, por exemplo, melhoria do solo, fornecimento de sombra e umidade e atração de polinizadores naturais, como morcegos e abelhas. 

 

Atividades em torno dos Sistemas Agroflorestais com a ONG Aquasis, na Chapada do Araripe

 

“Com isso, cria-se um sistema de altíssima diversidade capaz de elevar a produtividade e apresentar melhores resultados econômicos, ambientais e sociais quando comparados a sistemas tradicionais de monocultivo”, aponta Fabiane Santos, coordenadora técnica do Cepan. Além disso, a técnica proporciona ganhos significativos para mobilizar comunidades e grupos familiares que vivem dos cultivos agrícolas, incrementando e diversificando as fontes de renda e a segurança alimentar em áreas de produção coletiva, como quintais produtivos e hortas comunitárias.

Protagonizando a conservação e restauração de ecossistemas no Nordeste, o Cepan vem implementando os primeiros SAFs pela instituição no âmbito do Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas na Chapada do Araripe. Em parceria com a ONG Aquasis e apoio do projeto GEF Terrestre e Funbio, o projeto, entre variadas frentes, vem implementando agroflorestas na Reserva Oásis Araripe, no município do Crato, no Ceará.

Com o abrandamento da pandemia, o projeto tem como meta intensificar suas atividades no início de 2022 e implementar, até setembro do ano que vem, 15 hectares de SAFs, além de outras atividades que, combinadas, visam restaurar um total de 100 hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) Chapada do Araripe e no entorno da Floresta Nacional (FLONA) Araripe-Apodi, duas importantes Unidades de Conservação (UCs) do bioma Caatinga, localizadas entre os estados de Pernambuco, Ceará e Piauí.

 

SAFs: oportunidade de renda, produção sustentável e proteção aos ecossistemas nativos 

 

Entre as espécies cultivares na ação em andamento na Reserva Oásis Araripe está presente uma variedade de café produzido na sombra, correlacionando a produção com outras espécies nativas e exóticas para a proteção ao Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), ave endêmica da região (não existente em nenhum outro local do mundo) que está criticamente ameaçada de extinção. 

“Um SAF pode ser visitado pela fauna ameaçada, gerando receita ao mesmo tempo que tem sua área contabilizada para promover a conservação. Esperamos que a floresta cresça mais rápido do que na restauração tradicional e também que seja provedora da maior parte dos alimentos aos trabalhadores das reservas da Aquasis”, comenta Weber Girão, coordenador do projeto Oásis Araripe na ONG.

Também estão previstas ações de implementação de Sistemas Agroflorestais na paisagem Serra do Urubu-Murici, entre Pernambuco e Alagoas. Para tal, o Cepan e parceiros do projeto estão estudando formas de mobilizar agricultores e proprietários de terras da região, que é caracterizada por muitos minifúndios e assentamentos rurais. Neste segundo semestre de 2021, o projeto inicia a mobilização para implantar unidades demonstrativas em dois assentamentos na paisagem.

 

Soldadinho-do-araripe: ave faz parte da fauna que deve beneficiada com SAFs na Reserva Oásis Araripe (Foto – Fábio Nunes)

 

“A intenção, a partir deste mês de agosto, é selecionar lotes específicos para implementação dos SAFs, buscando entender o que os agricultores e agricultoras dos assentamentos desejam produzir, quais são suas aptidões e quais produtos o mercado demanda deles”, explica Fabiane. De acordo com a coordenadora, a ação também vislumbra a execução de oficinas para público estratégico dos assentamentos, estreitando contato e conferindo conhecimento técnico sobre os SAFs e seus benefícios para a região.

“Essa é uma oportunidade para trazer à paisagem novas possibilidades de agricultura, aliando boas práticas de manejo, manutenção da biodiversidade e expansão da diversidade alimentar, alinhadas ao perfil do pequeno agricultor e agricultora. Lembrando que a produção agrícola que garante grande parte da segurança alimentar no Brasil hoje vem do pequeno produtor. Logo, investir nos SAFs é uma maneira de incentivar a expansão dessa produção com perspectivas de diálogo com a conservação da biodiversidade”, comenta Fabiane.

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