Dia da Biodiversidade: Cepan, SAVE Brasil e WWF-Brasil atuam pela restauração na Paisagem Serra do Urubu-Murici (PE-AL)

Postado em 21/05/2021

Aves como o Tiê-Sangue (Ramphocelus bresilius) fazem morada no território. Instituições estudam potencialidades para restaurar paisagens da Mata Atlântica entre Pernambuco e Alagoas, região identificada com alta riqueza e diversidade biológica (Foto destaque – Alex Satsukawa)

Quase 450 mil hectares compreendem a região entre o fragmento florestal da Serra do Urubu (PE) e a Estação Ecológica (ESEC) de Murici (AL). A área abriga trechos significativos de Mata Atlântica que são lar para fauna e flora endêmica do bioma, com muitas espécies ameaçadas de extinção. Neste Dia da Biodiversidade, 22 de maio de 2021, o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) endossa a importância de se ampliar a cobertura vegetal nativa na Paisagem Serra do Urubu-Murici, com vistas à proteção da biodiversidade única contida na região.

De acordo com os estudos, a área abrange sete bacias hidrográficas e 18 municípios entre os estados de Pernambuco e Alagoas. A ocupação do solo se dá por diversos usos, que englobam 13 Unidades de Conservação (UCs), assentamentos, territórios indígenas e ainda imóveis rurais e áreas urbanizadas. Segundo relatório divulgado no último 10 de maio, a leitura é de que 24% da área da paisagem – aproximadamente 109 mil hectares – foi classificada como prioritária para conservação por abrigar grande diversidade biológica.

A Paisagem Serra do Urubu-Murici constitui um dos principais pontos focais para conservação das espécies endêmicas presentes no Centro de Endemismo Pernambuco, região biogeográfica que corresponde à Mata Atlântica ao norte do rio São Francisco. Dados da SAVE Brasil – principal executor local do projeto – apontam que a área é refúgio para populações de 18 espécies de aves endêmicas globalmente ameaçadas de extinção. Apenas a Serra do Urubu abriga 286 espécies de aves, sendo 34 endêmicas da Mata Atlântica e 13 ameaçadas de extinção, como o beija-flor-de-costas-violeta (Thalurania watertonii), o pintor (Tangara fastuosa) e o zidedê-do-nordeste (Terenura sicki).

“Esta paisagem abriga uma biodiversidade única, mas que está confinada em pequenos fragmentos isolados e ainda sob forte pressão antrópica. Por isso, precisamos aumentar o habitat e a conectividade destes fragmentos para garantir a persistência da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos que ela presta”, comenta Bárbara Cavalcante, coordenadora do Projeto Mata Atlântica do Nordeste, iniciativa da SAVE Brasil que desde dezembro de 2020 conta com suporte do Cepan.

“Estamos caminhando para melhor compreensão da cadeia de restauração presente no território para assim podermos associar gargalos e oportunidades ao nosso projeto e alavancar a restauração nessa paisagem tão única. O Cepan contribui como um difusor de conhecimentos, trabalhando em conjunto com a SAVE Brasil para difundir a importância da restauração das paisagens florestais da Mata Atlântica nordestina”, pontua Taruhim Quadros, do WWF-Brasil, instituição parceira da iniciativa desde 2019. 

Outro dado de alerta é que apenas 12% das Áreas de Proteção Permanente (APPs) na paisagem estão devidamente reflorestadas, o que implica obrigatoriedade de restauração dessas áreas, conforme prevê a Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Nº 12.651). A restauração também visa trazer melhorias do ponto de vista econômico – O projeto de Identificação de Oportunidades Econômicas e Ecológicas para Restauração Florestal na Paisagem Serra do Urubu-Murici, em execução pelo Cepan, ajudará a diagnosticar oportunidades, demandas e necessidades para alavancar a restauração no território.

“Com isso, será possível indicar modelos de restauração capazes de gerar benefícios socioeconômicos em longo prazo e promover a capacitação dos elos da cadeia produtiva da restauração florestal na região. Assim esperamos gerar novas oportunidades de renda e soluções em segurança hídrica, alimentar e energética para as populações locais, além de contribuir para a retenção da biodiversidade nessa paisagem tão prioritária para a Mata Atlântica”, pontua Fabiane Santos, coordenadora técnica do Cepan.

Dessa forma, o projeto objetiva alcançar mais harmonia entre conservação do capital natural e bem estar social na referida região, aumentando habitats para a biodiversidade local por meio do estabelecimento e consolidação de um corredor ecológico. “O dia de hoje é simbólico para celebrar a biodiversidade, trazê-la para o centro das atenções e ecoar os esforços que têm sido feitos para enfrentar esta crise. Renovar os votos em torno da missão histórica das nossas instituições, que compartilham o sonho de construir um mundo onde a biodiversidade e as pessoas prosperem”, defende Bárbara.


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