A restauração da Caatinga ganha força com sistemas que unem conservação, soberania alimentar e geração de renda
Na Chapada do Araripe, no coração da Caatinga, uma nova geração de restauradoras e restauradores coloca em prática um modelo que une dois mundos historicamente vistos como opostos: produção agrícola e conservação ambiental. De 12 a 14 de março, o Cepan promoveu o curso “Introdução à Restauração Produtiva com Ênfase em Sistemas Agroflorestais (SAFs)”, capacitando mais de 20 pessoas para pensar e implementar soluções que recuperam a vegetação nativa enquanto geram renda, alimentos e autonomia para quem vive da terra.
A formação faz parte do projeto Rede de Conservação e Restauração da Chapada do Araripe, realizado com apoio do Fundo Socioambiental (FSA) da Caixa Econômica Federal. O projeto prevê a restauração de 500 hectares, ações de educação ambiental e o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis no território. E a formação de recursos humanos é uma peça-chave desse processo: o curso sobre SAFs foi o quarto de uma série de seis capacitações planejadas para gerar capacidades técnicas relacionadas à restauração e conservação do território.
O melhor dos dois mundos
Os Sistemas Agroflorestais combinam espécies nativas da floresta com cultivos agrícolas — como hortaliças, frutíferas, forrageiras e plantas medicinais. O resultado é um sistema produtivo que pode regenerar o solo, proteger as nascentes, aumentar a biodiversidade e ainda garantir alimento e renda para as famílias. Quando bem planejados, os SAFs são capazes de resgatar funções ecológicas da paisagem e, ao mesmo tempo, tornar a propriedade mais resiliente às mudanças climáticas.

O curso iniciou com uma introdução teórica e estudos de casos de SAFs já consolidados. Em seguida, a sala de aula foi o campo: foi realizado um mutirão de plantio na propriedade dos agricultores Francisco Luciano e Antônia, em Nova Olinda, e visitaram a RPPN Vale dos Buritis, onde conheceram um sistema agroflorestal implantado pelo Cepan há cerca de três anos. A atividade permitiu o aprendizado de técnicas de implantação e manejo — fundamentais para que os SAFs se mantenham produtivos e sustentáveis ao longo do tempo.
Restaurar com as mãos, com o conhecimento e com propósito

Mais do que capacitação técnica, o curso reforçou a importância de colocar as pessoas no centro da restauração. Mulheres foram maioria na turma, ocupando 70% das vagas. Entre trocas, aprendizados e práticas coletivas, o grupo saiu com mais ferramentas para transformar seus territórios.
Ao apostar na restauração produtiva, o Cepan mostra que restaurar a Caatinga não precisa ser um processo isolado ou inviável economicamente. Pelo contrário: quando aliada ao conhecimento local e à agroecologia, a restauração pode ser uma via poderosa de justiça ambiental, soberania alimentar e desenvolvimento sustentável.
Sobre o Cepan:
O Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) atua há mais de 24 anos na execução de projetos de conservação da natureza, consolidando sua atuação no cenário nacional. O trabalho da organização envolve a mobilização de diversos parceiros, incluindo prefeituras, ONGs e comunidades locais, garantindo que os projetos sejam concluídos de forma eficaz e com impacto positivo tanto no meio ambiente quanto na economia local, sempre priorizando o envolvimento de atores locais no processo.
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