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Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce mobiliza primeiros grupos de coletores e viveiristas

Conheça os cinco grupos que já aderiram à Rede, projeto que neste julho de 2021 completou dois anos em funcionamento. Na foto, a coletora Dilceia, da Aldeia Comboios, em Aracruz-ES 

Em processo de estruturação e formalização rumo a sua autonomia, o projeto que visa formar a Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce completou dois anos de existência neste julho de 2021. De modo a prover insumos para ações de restauração florestal entre Minas Gerais e Espírito Santo, o projeto conseguiu mobilizar nesse período 127 atores sociais de cinco grupos, inspirando esperança e renovação para a recuperação de ecossistemas da região.

Através de um edital lançado em dezembro de 2019, a Rede alcançou 37 grupos interessados em contribuir com o projeto, sendo 26 deles próprios da bacia do rio Doce. Em convocatória sob demanda estratégica, cinco grupos foram contatados e já aderiram à iniciativa. Devido à pandemia, que paralisou as atividades presenciais da Rede em março de 2020, os mobilizados vêm recebendo orientações e assistência remota para coletarem e produzirem insumos que serão utilizados nas atividades de restauração florestal.

O primeiro grupo mobilizado, logo no início do funcionamento da Rede, foram os indígenas tupiniquins e guaranis de Aracruz-ES. À época, 51 coletores captaram 1,59 de um total de 5,23 toneladas de sementes disponibilizadas para atividades de restauração entre 2019 e 2020. Os insumos possibilitaram a realização da primeira ação demonstrativa de restauração florestal, que recuperou 26,4 hectares na região do médio rio Doce, nos municípios mineiros de Periquito, Galiléia e no distrito de São Vítor, em Governador Valadares.

 

Mobilização em Degredo, Linhares-ES, antes da pandemia. Gestores planejam retomar encontros em breve

 

Dois anos após ser iniciada, a Rede conta com mais quatro grupos participantes. Entre eles está o Sementes do Bem, de Ervália-MG, que conta com 22 integrantes, entre produtores rurais, professores, agrônomos, entre outros profissionais. Do mesmo município, também participa o grupo Flora Sul da Serra do Brigadeiro, que vem se adequando em atividades rurais para potencializar a coleta e produção de sementes em parceria com a Rede.

Ainda em território mineiro, em Santa Bárbara, o grupo Gente Que Planta, que trabalha há cinco anos com agroflorestas, produção de mudas e coleta de sementes nativas em pequena escala, também vem sendo mobilizado após aderir à Rede. Já em Linhares-ES, a Rede estreita contato com os coletores da Comunidade Remanescente do Quilombo de Degredo, possibilitando a 30 quilombolas uma alternativa de renda com a coleta de sementes.

 

Grupo Sementes do Bem – Ervália/MG

 

A intenção é que, com o abrandamento do cenário da pandemia, as assistências técnicas possam voltar a campo, bem como a realização de capacitações in loco e o plantio via Semeadura Direta em novas áreas. Os grupos aprovados no edital e que ainda não foram contatados aguardam em cadastro reserva, conforme os próximos passos de estruturação da Rede e a necessidade de novas encomendas de sementes para atividades futuras.

RUMO À FORMALIZAÇÃO – Prevista inicialmente para durar três anos, a estruturação da Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce ganhou novos contornos devido ao cenário pandêmico. Com novas diretrizes e planejamentos, a perspectiva é que, até 2023, o projeto se formalize enquanto um arranjo institucional independente, sendo a primeira rede especializada no fornecimento de sementes e mudas nativas da bacia do rio Doce. Entre 2020 e 2021, eventos virtuais resultaram em produtos científicos para fortalecer ainda mais a governança institucional e o planejamento das próximas ações.

 

Flora Sul da Serra do Brigadeiro – Ervália/MG

 

“Realizamos um diagnóstico de zonas com potencial ecológico de coleta de sementes, plano que confere um panorama para potencializar e dar qualidade à atividade, e um protocolo de monitoramento quali-quantitativo do sucesso da Rede, atualmente em fase teste, que começará a ser posto em prática em campo, testando indicadores para monitorar o sucesso e a estrutura de uma rede de sementes, algo que representa um ganho para iniciativas de redes de sementes no Brasil”, comenta Joaquim Freitas, coordenador geral do Cepan. 

A Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce é uma iniciativa realizada pela Fundação Renova e pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX). A iniciativa é uma das frentes do Programa de Recuperação de Nascentes, Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de recarga hídrica encampado pela Fundação Renova, visando restaurar 40 mil hectares e 5 mil nascentes afetadas pela lama da barragem de Fundão. Saiba mais.

 

Grupo Gente Que Planta – Santa Bárbara/MG

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