Plano de Monitoramento de Indicadores fortalece a Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce

Postado em 29/03/2021

Workshop virtual realizado em janeiro suscitou debates e estabeleceu orientações de produção e funcionamento para avançar com as atividades da Rede

A Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce segue aprimorando seu funcionamento, de forma a otimizar o início de suas atividades e estruturação. No último mês de janeiro, o Workshop de Construção de Indicadores promoveu a construção e avaliação dos índices de processo produtivo e de sucesso da Rede. Em três dias de atividades e encontros virtuais (27, 28 e 29 de janeiro), os atores sociais, instituições e técnicos envolvidos no evento debateram e definiram pontos prioritários para monitorar e analisar a produção e o funcionamento da Rede, compondo um Plano de Monitoramento de Indicadores Quali-quantitativos.

O plano foi elaborado após um minucioso trabalho voltado à identificação de atributos, critérios e cenários relativos aos processos que perpassam as atividades da Rede. Para tal, foi aproveitado um trabalho realizado pela Rede na seleção de 30 a 95 pré-indicadores através de um formulário preenchido pelos 23 participantes do workshop, oriundos de várias instituições, além de membros do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Os indicadores foram sistematizados através do método MESMIS – Marco para Avaliação de Sistemas de Manejo de Recursos Naturais Incorporando Indicadores de Sustentabilidade. Através de uma abordagem sistêmica, participativa e interdisciplinar, os indicadores foram analisados e avaliados através de notas, de acordo com cinco diferentes características: objetivo, prático, fácil de entender, sensível a mudanças e com baixo custo de avaliação. Assim foram fomentadas orientações para tomadas de decisão que favoreçam a sustentabilidade e a construção coletiva em todas as atividades da Rede.

O resultado foi uma imersão de 11 horas no workshop online, abrangendo explanações sobre os temas em vídeos pré-gravados e em tempo real, acerca de quatro grandes áreas: Produção de Sementes e Viveiros, Aspectos Socioeconômicos, Estrutura e Funcionamento da Rede, e Políticas Públicas e Legalizações. Pontos específicos de cada temática foram analisados de forma quantitativa e qualitativa, a fim de entender melhor e aprimorar o fluxo de atividades da Rede, favorecendo o alcance dos objetivos do projeto.

Participantes avaliaram especificidades de cada área ligada a estrutura e funcionamento da Rede

No quesito Viveiros e Sementes, por exemplo, foram discutidos temas relacionados a produção e qualidade, como a capacidade anual de produção, quantidade de pedidos anuais de espécies, rastreabilidade e identificação das matrizes, entre outros assuntos. Nos Aspectos Socioeconômicos, foram debatidos a participação de mulheres, jovens e comunidades tradicionais nas atividades de campo, bem como o papel social do trabalho realizado.

No tocante a Estrutura e Funcionamento, a conversa girou em torno de pontos como engajamento na Rede, logística, ingresso de novos membros e, sobretudo, percepção do papel e da função de cada ator na estrutura da Rede. Já no campo Políticas Públicas e Legalizações, a análise se debruçou em questões a exemplo da fonte das sementes utilizadas, dos participantes registrados no RENASEM e de procedimentos gerais para a legalização da Rede.

O resultado do workshop compôs, ao fim do processo, o Plano de Monitoramento de Indicadores Quali-quantitativos, que servirá como instrumento para nortear as atividades e o funcionamento da Rede abrangendo três pilares fundamentais da cadeia produtiva da restauração ecológica: socioeconomia, ecologia da restauração e gestão de projetos. 

“Os indicadores serão levados a campo para serem validados na prática por técnicos e, principalmente, pelos coletores de sementes da Rede, de forma a verificar se os objetivos e metas em cada etapa estão sendo cumpridos. Assim efetivamos uma melhor estruturação da Rede nesses diversos segmentos analisados”, pontua Lara Ribeiro, analista de projetos do Cepan que esteve à frente do workshop. A Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce é fruto de uma parceria firmada entre a Fundação Renova e o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), com a colaboração da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 


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