Aulas onlines foram finalizadas com encontro presencial na Comunidade Quilombola Remanescente de Degredo. Até fevereiro de 2022, visitas serão feitas a outros três grupos que também participaram da oficina
Em processo de elaboração do Plano Participativo de Coleta de Sementes Nativas (PPCSN), a Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce desenvolveu capacitações ao longo do mês de outubro, dando continuidade às capacitações com os primeiros grupos em mobilização. A Oficina de Dinâmica de Produção e Comercialização de Sementes, em etapa virtual realizada em 13 e 14 de outubro, instruiu coletores sobre como proceder, mensurar e estabelecer um fluxo de produção para atender ações de restauração florestal.
Em dois dias de atividades por videoconferência, os grupos receberam orientações de técnicos da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) e do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan). Os conteúdos orientaram 17 participantes, entre representantes dos grupos Sementes do Bem, Gente Que Planta, Tupiguá e Comunidade Quilombola Remanescente de Degredo, já mobilizados pela Rede, além de outros atores interessados em fazer parte do projeto.
Através da iniciativa, o público aprendeu detalhes para auxiliar na identificação de sementes e definir uma lista potencial de espécies que podem ser coletadas ao decorrer do ano, para que assim possam estimar uma média anual de produção de sementes. A oficina trouxe ainda atividades lúdicas para assimilação dos conteúdos, estudos de caso e dinâmicas para entender a gestão de uma Rede de Sementes – como captar encomendas, organizar pedidos, planejar a produção de insumos e estabelecer um fluxo produtivo contínuo.

Em dois dias de capacitação, oficina instruiu coletores como estabelecer uma dinâmica produtiva para comercializar sementes florestais nativas
A oficina faz parte do processo de construção do Plano Participativo de Coleta de Sementes Nativas (PPCSN), que estabelece o potencial produtivo dos coletores mobilizados e, a partir dele, define o volume de sementes que podem ser captadas. Entre as várias capacitações realizadas ao longo de 2021, essa é uma das etapas-chave que devem estruturar em breve o funcionamento pleno da Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, destinando insumos para restauração florestal e gerando renda para coletores participantes.
VISITA A DEGREDO – A oficina on-line foi apenas a primeira etapa da formação dos coletores mobilizados em dinâmica de produção e comercialização de sementes. Uma etapa prática e presencial, prevista para todos os grupos participantes, ocorreu de forma inicial com os coletores da Comunidade Quilombola Remanescente de Degredo, no último 20 de outubro, no município de Linhares/ES, com participação do Cepan e da ARSX.
Complementando a etapa virtual, o encontro presencial levou aos coletores de Degredo explanações adicionais, marcação de matrizes com acompanhamento dos técnicos e tira-dúvidas sobre exercícios realizados online. “Após as aulas, foi passada uma atividade para eles elaborarem uma lista potencial de sementes florestais nativas. Presencialmente, tivemos a oportunidade de debater e tirar dúvidas sobre as listas feitas”, avalia Lara Ribeiro, analista de projetos do Cepan que acompanhou a atividade.

Coletores da Comunidade de Degredo receberam visita de técnicos do Cepan e da ARSX em outubro
De acordo com a gestora, os encontros presenciais para os demais grupos ainda estão sendo organizados, obedecendo aos protocolos de prevenção contra a Covid-19, que alterou significativamente o calendário do projeto. As atividades in loco, além de outras oficinas previstas, devem ocorrer até fevereiro de 2022. “Os encontros presenciais serão fundamentais para sanar dúvidas e dificuldades dos grupos acerca da produção e comercialização de sementes, etapa fundamental de todo esse processo”, atesta Lara.
A Rede de Sementes da Bacia do Rio Doce é uma iniciativa realizada pela Fundação Renova e pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX). O projeto busca recuperar áreas degradadas por meio da semeadura direta, recuperando ecossistema nativo do rio Doce degradado pelo rompimento das barragens de Fundão, em Mariana/MG. Saiba mais aqui.




