Aracruz-ES: Terras indígenas restauradas pelo Cepan em pleno desenvolvimento 

Postado em 19/04/2021

Neste Dia do Índio, 19 de abril, saiba mais sobre os resultados das ações do Cepan na região, que trazem esperança e renovação para aldeias indígenas 

Territórios indígenas reflorestados pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) no município de Aracruz, no Espírito Santo, começam a apresentar sinais de desenvolvimento. Em visita de campo realizada no último 5 de maio, a instituição identificou as primeiras novas árvores que devem formar 24 hectares de Mata Atlântica na região, gerando reflexões sobre inclusão e proteção aos povos originários do Brasil através da restauração florestal.

Em ocorrência desde julho de 2020, em territórios dos povos Tupiniquins e Guaranis na região, o projeto implementa a Semeadura Direta para ampliar a cobertura vegetal na região a fim de proteger espécies, gerar nascentes e melhorar o clima. Todo o processo conta com participação direta de oito aldeias locais – ao longo de 2020, 62 indígenas, cerca de 80% mulheres, atuaram na coleta de 1.293 kg de sementes nativas, que plantadas sob a forma de muvuca de sementes, através da técnica de semeadura direta, hoje se desenvolvem para formar novas florestas.

Um dos indígenas que participam ativamente do projeto é o cacique Marcelo da aldeia Nova Esperança – conhecido popularmente como “Marcelo Guarani” – que se engaja pela recuperação do capital natural da região. “Temos uma vontade grande de reflorestar pontos que foram devastados. Pelo que se sabe, muito antigamente, tudo ali era floresta, tinha muitos córregos, era nosso habitat natural”, conta ele. Como consequência, a restauração ajuda a endossar o reconhecimento e o respeito às demarcações das terras indígenas, além de trazer bem estar a esses povos.

“Por muitos anos, essas áreas foram ocupadas por plantações de eucalipto, e quando os indígenas retomaram esses territórios, as áreas estavam todas desmatadas”, explica o engenheiro florestal Luciano Eichholz, consultor técnico do Cepan à frente das atividades em Aracruz. “Hoje a ocupação do território é muito pequena, a grande maioria é ocupada por gado, ou está abandonada. Terá um melhor uso se for reflorestado”, pontua.

O cacique Marcelo conta que as aldeias em Aracruz estão atualmente restritas a duas reservas – “o único refúgio de animais silvestres como macacos e papagaios”, ressalta – e defende a restauração de corredores ecológicos para ampliar a Mata Atlântica e fazer a biodiversidade prosperar. “A gente tem um pensamento de que, no futuro, teremos uma pequena floresta de área reflorestada, e com certeza vamos ter mais água, mais frutos, mais animais, e vai dar sombreamento e oxigênio”, vibra ele.

Além de melhorar os serviços ecossistêmicos prestados, a restauração em Aracruz vem aliada a oportunidades socioeconômicas relevantes para os indígenas. “Os indígenas têm uma renda com a coleta de sementes. Então se houver mais áreas para coletar, mais renda eles terão e mais pessoas também vão poder coletar”, diz o engenheiro florestal. O trabalho de coleta de sementes se torna uma oportunidade econômica que não apenas beneficia, mas empodera e inclui os indígenas no processo de restauração de seus territórios. 

“Uma restauração florestal que não envolve atores locais está fadada a uma série de problemas. Precisamos envolver os atores locais, suas histórias de vida, empoderando-os da importância do processo que está sendo construído e tornando-os vetores para replicar ações de restauração florestal e educação ambiental”, avalia Joaquim Freitas, coordenador geral do Cepan. O projeto ganha continuidade durante 2021, com incentivo das instituições Ecosia, Mistplay, Brynk, TreeApp, Cariuma e Earth Aid Solutions, rumo a restaurar um total de 50 hectares.

“O índio tem o papel de guardião. Jamais ele vai fazer uma destruição de natureza, porque sabe que os indígenas sobrevivem da floresta e dos rios. Recuperar esses espaços e ter novas florestas é muito importante para o nosso povo. Minha comunidade aqui aceita isso com aplauso, porque é importante para as futuras gerações e para a humanidade”, enfatiza Marcelo.


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