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Formação virtual capacita assentados do MST em coleta e produção de sementes

Em parceria com o WRI Brasil, Cepan ministrou curso que é etapa-chave para o Movimento no alcance de metas de plano nacional de restauração florestal

“Plantando árvores, produzindo alimentos saudáveis”. É como se chama o plano nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que encampa a meta de gerar 100 milhões de novas árvores de Mata Atlântica no Brasil em 10 anos. Entre abril e maio, o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) e o WRI Brasil capacitaram integrantes do Movimento em coleta e produção de sementes, atividades ligadas à cadeia da restauração florestal e que são fundamentais no cumprimento do objetivo proposto.

Por meio de um curso virtual com 16 horas-aula teóricas, 34 pessoas entre assentados e técnicos do MST no Sudeste conheceram as principais formas de marcação de matrizes para obtenção das sementes, técnicas de processamento e manejo, além de pormenores referentes a legislação para coleta e comercialização das sementes florestais e funcionamento de redes especializadas nesses insumos. A formação viabilizou ainda 12 horas de acompanhamento de exercícios práticos voltados à marcação de matrizes florestais e coleta de sementes nativas.

 

Registro de um dos dias de aula, voltada a assentados e técnicos do MST no Sudeste

 

Diorgines Nunes, consultor técnico do MST, explica que a capacitação aproximou o público de temas que ajudarão a superar gargalos no acesso a sementes para semeadura direta e na execução desta e outras técnicas de restauração florestal. “De maneira didática e prática, o curso foi excelente para nos ajudar a qualificar nossa intervenção na análise das nossas questões ambientais, de forma que possamos intervir com qualidade e condizentes com princípios ecológicos e técnicos”, avalia.

Além de técnicos do Cepan, a formação contou com especialistas convidados do Laboratório de Sementes e Mudas Florestais da Universidade Federal de São Carlos (Lasem/UFSCar), do Instituto Socioambiental (ISA) e da Embrapa Agrobiologia. Houve também participação de coletoras atuantes no Espírito Santo e em Minas Gerais, que compartilharam com os participantes experiências e desafios na implementação e gestão de redes de coleta e produção de sementes. 

“Em tempos de pandemia, as capacitações têm sido a forma de nos conectar com pessoas de diversos locais e fortalecer ações de restauração através de trocas de experiência. Esperamos que a capacitação possa fortalecer ainda mais o plano nacional, melhorando suas estratégias, criando novas oportunidades e replicando o conhecimento para outros estados e pessoas envolvidas”, classifica Luciana Alves, do WRI Brasil.

 

Madalena Izabel, coletora em São João do Paraíso (MG), contribuiu com debates. 
Conheça mais sobre o trabalho dela

 

CONHECER PARA AVANÇAR – Em execução desde 2020, o plano nacional “Plantando árvores, produzindo alimentos saudáveis” estabeleceu a meta de restaurar áreas degradadas em assentamentos de reforma agrária, mas também em áreas públicas em parceria com a sociedade em geral. A proposta é não apenas proteger a biodiversidade da Mata Atlântica, mas também implementar relações sociais sustentáveis com os recursos naturais, com a implementação de sistemas agroflorestais, bosques e quintais produtivos.

“Geralmente, os assentamentos herdam os passivos ambientais dos latifúndios, e fica a cargo das famílias assentadas restaurarem essas áreas. O plano nacional visa recuperá-las e alterar a lógica ambiental entre campo-cidade que está colocada hoje para uma relação mais sustentável, com produção de alimentos saudáveis, geração de renda para as famílias e equilíbrio socioambiental. O curso com certeza contribuiu nesse sentido”, detalha Diorgines.

 

 

Com conhecimento oportunizado por Cepan e WRI Brasil em mãos, agricultores e assentados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo ganham expertise para fundar novos grupos de coleta e estruturar grupos já existentes. O Cepan, que já atua em outras frentes de restauração no Nordeste e Sudeste do país, colabora ainda mais com a recuperação de áreas degradadas nessas regiões.

“Este curso foi uma oportunidade de criar espaços de troca e ampliar os horizontes de atuação do MST nesta temática da restauração florestal, fornecendo subsídios técnicos para que a prática de coleta e produção de sementes seja embasada tanto nas regionalidades e conhecimentos tradicionais quanto nos preceitos técnicos que envolvem a atividade, maximizando as chances de sucesso no alcance das metas de restauração previstas”, pontua Fabiane Santos, coordenadora técnica do Cepan.

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