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Cepan conduz novos plantios em São João do Paraíso, ao Norte de Minas Gerais

Neste janeiro de 2022, a instituição implementou 14,7 hectares de semeadura direta no bioma Cerrado. Mais 15 ha serão recuperados até fevereiro

O Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) iniciou o ano de 2022 atuando fortemente pela recuperação do bioma Cerrado, no município de São João do Paraíso, ao norte do Estado de Minas Gerais. Com contribuição ativa de coletores de sementes da região, a instituição conduziu a restauração florestal de 14,7 hectares de áreas degradadas, a fim de melhorar a qualidade e disponibilidade de recursos hídricos.

O trabalho de restauração florestal foi executado através da técnica de semeadura direta, entre os dias 12, 13 e 14 de janeiro. Após o preparo do solo, foram lançados 856 kg de sementes florestais nativas por técnica mecanizada. A muvuca foi composta por sementes de 50 espécies, sendo 47 nativas e 3 de adubação verde. Estima-se que a semeadura proverá o surgimento de 61.740 novas árvores, de tipos como o Jatobá do Cerrado (Hymenaea stigonocarpa), Tingui (Magonia pubescens) e Pequi (Caryocar brasiliense).

De acordo com Joaquim Freitas, coordenador geral do Cepan, a restauração florestal em São João do Paraíso acontece em áreas de cabeceiras de nascentes, visando aumentar a disponibilidade de água na região. “Recompor a vegetação nas cabeceiras ajudará a restaurar nascentes e melhorar o fornecimento de recursos hídricos para as populações que vivem no entorno dessas áreas”, detalha ele. 

Esse é o principal objetivo do trabalho em São João do Paraíso, mas outros benefícios também são esperados como consequência da restauração florestal. Com o nascimento de novas florestas, as áreas de Cerrado restauradas ajudarão a recuperar o potencial energético do solo, regularizar o microclima local, além de prover abrigo para a fauna nativa, entre outros serviços ecossistêmicos. 

Esta é a segunda ação de restauração florestal realizada pelo Cepan no município mineiro, com apoio da Ecosia. A instituição começou a trabalhar na região em 2020, recuperando, a princípio, 15 hectares com o plantio de 472 kg de sementes. Para além dos 14,7 ha implementados neste janeiro, outros 15,3 ha devem ser trabalhados até meados de fevereiro. Para os 30 ha trabalhados em 2022, serão utilizadas, ao todo, 1.821 kg de sementes nativas, que devem gerar 126 mil novas árvores.

IMPACTOS SOCIAIS – Para além dos benefícios ambientais, a restauração do Cepan em São João do Paraíso acontece trazendo oportunidade de renda para coletoras e coletores de sementes da região. Para as atividades em 2022, a instituição firmou novamente parceria com o grupo Sementes do Paraíso, liderado pela coletora Madalena Izabel Ferreira, que é referência em sementes florestais nativas do bioma Cerrado nessa região.

Joaquim Freitas explica que grande parte das sementes utilizadas pelo Cepan nas semeaduras em São João do Paraíso foram providas por cerca de 16 pessoas que residem na região e atuam no grupo de Madalena. “Além de usufruírem diretamente dos benefícios ambientais que a restauração traz, os coletores e coletoras auferem renda pelo fornecimento das sementes, trabalho que é fundamental para o desenvolvimento da restauração florestal por semeadura direta ”, explica o coordenador. 

Madalena Izabel Ferreira: protagonismo feminino pela restauração do Cerrado (Fotos – Sementes do Paraíso)

 

O trabalho do Sementes do Paraíso é um exemplo de protagonismo feminino na restauração florestal. Com apenas 26 anos, Madalena Izabel Ferreira gerencia e mobiliza o grupo criado há cerca de dois anos. “É de suma importância proteger essas recargas hídricas, porque as árvores do Cerrado têm raízes profundas, que conseguem filtrar mais água e repor os aquíferos, que vêm secando devido ao manejo incorreto do solo e do desmatamento”, detalha ela. 

O engajamento, segundo ela, além de proteger o bioma, visa resgatar a esperança para comunidades locais que dependem da terra e da água para sobreviver. “A biodiversidade e a cultura das comunidades está se acabando com a falta de água. Recuperar o Cerrado era um sonho solitário que eu tinha aqui e não conseguia concretizar. Assim que o Cepan entrou em contato conosco, eu disse sim no mesmo instante. E seguimos plantando árvores, gerando água e tentando melhorar a vida das pessoas”, vibra ela.

 

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