Troca e nivelamento de saberes pautam estruturação da Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce

Postado em 17/11/2020

Parceria entre Cepan, Fundação Renova, UFSCar e ARSX reuniram profissionais para troca e nivelamento de conhecimento. Diálogos orientaram a estruturação inicial da cadeia de produção de sementes nativas da região

Novas perspectivas para a criação da Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce à vista. No último mês de setembro, o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) – coordenador técnico do projeto realizado pela Fundação Renova -, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) organizaram e executaram eventos de troca de conhecimento, a fim de nivelar saberes entre técnicos e colaboradores que trabalham para retirar a iniciativa do papel. A vivência nos encontros apontou diretrizes importantes que delineiam os primeiros contornos de estrutura e funcionamento da rede.

No 1º Evento de Reciclagem e Troca de Saberes Online, realizado entre 02 e 04 de setembro, houve uma formação para a Rede com quase 10 horas de transmissão de conteúdo, entre palestras pré-gravadas e em tempo real, que proporcionaram aos profissionais a troca de conhecimentos sobre legislação, processo produtivo e gestão da produção de mudas e sementes. Houve ainda grupos de trabalho, com debates e análise prática dos conteúdos abordados.

O encontro proporcionou, pela primeira vez, interação entre realizadores, atores envolvidos na Rede e informantes-chave na prestação de conhecimento acerca da produção de mudas e sementes. Foram 27 presentes, representando as instituições realizadoras e parceiros como Instituto Federal de Minas Gerais – Governador Valadares (IFMG), Rede de Sementes do Cerrado, Centro de Informação e Assessoria Técnica (CIAAT), Sociedade de Investigações Florestais da Universidade de Viçosa (SIF/UFV), entre outras instituições.

Como resultados, foram gerados os primeiros fluxogramas sobre processos e procedimentos para estruturação da Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, reavaliados no segundo encontro – a 1ª Oficina de Nivelamento Online, que aconteceu de 15 a 18 de setembro. Os 42 participantes também assistiram palestras pré-gravadas, além de dois módulos em tempo real – o primeiro sobre parâmetros técnicos; e o segundo sobre aspectos legais e econômicos do processo produtivo, totalizando quase 6 horas de explanações, debates e trabalhos em grupo.

Além das instituições presentes no evento anterior, também compareceram representantes das Universidades Federal do Paraná (UFPR) e do Amazonas (UFAM), Embrapa Agrobiologia, Programa Arboretum e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “Seguimos com o plano de trabalho com tomadas de decisão de forma coletiva. Há previsão de novos encontros para capacitações técnicas, intercâmbios entre os atores sociais (coletores e produtores de mudas) e validação dos indicadores de funcionamento e sucesso da Rede, tudo a partir da construção participativa”, comenta Lara Ribeiro, analista de projetos do Cepan que atuou na organização dos eventos online.

Com princípios e parâmetros mais equalizados, a proposta é avançar nos debates com novos encontros e definições. Paralelamente, o projeto avança com a validação de 39 inscrições de coletores de sementes e produtores de mudas interessados em participar da iniciativa. A Rede recebeu os inscritos entre dezembro de 2019 e agosto de 2020, através de um edital de convocação. No momento, os dados coletados estão em processamento e serão organizados para a estruturação e criação da rede em consonância com os critérios definidos nos eventos de nivelamento.

A Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce é um projeto da Fundação Renova, em parceria com Cepan, Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que visa fornecer insumos básicos, como sementes e mudas, para potencializar a restauração ecológica em regiões entre Minas Gerais e Espírito Santo, impactadas pelo desastre da barragem do Fundão, em Mariana (MG), no ano de 2015. A meta é recuperar 5 mil nascentes e 42 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) em 10 anos, inserindo a população local no processo e gerando oportunidades socioeconômicas aliadas à restauração ecológica.


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