Técnicos do Cepan avaliam RPPN Pedra D’anta para construção de corredor ecológico

Postado em 15/02/2020

A visita aconteceu entre os dias 12 e 14 de fevereiro e foi realizada a convite do WWF Brasil, WWF Holanda e da SAVE Brasil

Devido à experiência que apresenta com restauração de ecossistemas nativos, o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN) foi convidado a visitar a Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Pedra D’Anta, na Serra do Urubu, município de Lagoa dos Gatos, na Zona da Mata pernambucana. A expedição, que aconteceu entre os dias 12 e 14 de fevereiro, foi realizada a convite do WWF Brasil, WWF Holanda e da Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil), que maneja a área desde 2004. A equipe, formada por biólogos, jornalistas, gestores ambientais e técnicos, foi apresentada à área,  com cerca de 325 hectares de Mata Atlântica. O objetivo maior, a partir desse encontro, é o planejamento e a implementação de um projeto de corredor ecológico, que vislumbra a conexão e restauração de vários fragmentos de floresta até formar áreas contínuas com presença de cobertura florestal nativa. No local, o grupo pôde analisar e debater acerca da riqueza de fauna e flora já existente, além de buscar entender o contexto das propriedades vizinhas e destacar quais ambientes apresentam maior potencial para restauração, empregando diversas técnicas e metodologias para obter sucesso na atividade de recuperação das áreas selecionadas.

De acordo com dados levantados pela SAVE Brasil, somente na RPPN Pedra D’Anta já foram registradas 285 espécies de aves, das quais 13 estão globalmente ameaçadas de extinção, e mais de 250 espécies de plantas, dentre elas, bromélias endêmicas e também ameaçadas. As possibilidades de encontrar outras espécies podem ser ainda maiores, considerando a RPPN Frei Caneca, adjacente ao fragmento visitado e que, junto à RPPN Pedra D’Anta, forma a Serra do Urubu, totalizando cerca de mil hectares de floresta nativa. “Essas RPPNs são ilhas de Mata Atlântica que abrigam uma altíssima biodiversidade e endemismo de espécies. O projeto visa restaurar o interior e entorno dessas áreas, e, assim, realizar uma conexão com a Estação Ecológica de Murici, em Alagoas, considerada um dos maiores fragmentos de Mata Atlântica acima do rio São Francisco”, afirma a analista de projetos do CEPAN, Fabiane Santos. A ideia de formar o corredor ecológico é garantir uma condição ambiental mais adequada, que possibilite o estabelecimento e movimentação da fauna e continuidade da flora na paisagem. “Por meio do incremento de vegetação nessas regiões e, consequentemente, de habitat, aumentamos a probabilidade de sucesso de encontro, reprodução e dispersão das espécies, além de salvaguardar os recursos necessários para a sobrevivência destas. Com isso, conseguimos garantir a longevidade dessas espécies na paisagem”, explica.

Outro ponto positivo da formação de corredores ecológicos é a melhoria e/ou restauração dos serviços ambientais, como a provisão de água, redução da temperatura, controle do regime de chuvas, aumento da oferta de alimentos e frutas, além de produtos madeireiros e não madeireiros. Para Fabiane, realizar um projeto com a SAVE Brasil e o WWF é de grande importância, pois amplia as possibilidades de debate e os olhares sobre os problemas no cenário da Mata Atlântica no Nordeste do Brasil e oferece uma maior chance de potencializar os efeitos positivos a partir desse trabalho. “Neste primeiro momento, estamos catalisando as atividades junto aos parceiros. Ninguém trabalha sozinho, e juntos podemos alcançar metas mais ousadas, com o planejamento adequado e com a melhor expertise de cada instituição em prol de um objetivo comum”, reflete.

Durante a visita, a equipe também encontrou desafios para a implementação do projeto. Um dos principais é a grande presença de pastos. “A região apresenta uma matriz voltada para a pecuária, muitas vezes de baixa produtividade, que ocupa milhares de hectares na paisagem. Encontrar um meio termo entre a presença dessas pastagens e o aumento da produtividade é chave para que consigamos indicar quais os benefícios de restaurar as propriedades. Precisamos da adesão dos atores sociais rurais para garantir a disponibilidade de áreas para a restauração e a permanência destas. A SAVE começou o trabalho de mapeamento e apresenta um excelente diálogo com uma série de proprietários que têm o interesse em realizar a parceria”, comemora.

As próximas atividades do CEPAN no projeto estão voltadas para o planejamento de restauração das paisagens e para identificar as principais metodologias a serem empregadas para maximizar os resultados e benefícios para cada área selecionada.  “Para isso, utilizaremos ferramentas de geoprocessamento e sensoriamento remoto, dentre outras tecnologias para identificação e priorização das áreas para restauração. Também será elaborado o Planejamento Executivo de Restauração Florestal, o PERF, documento que elenca todas as diretrizes e orientações para a execução das atividades nas localidades selecionadas”, esclarece. A instituição também está envolvida com o monitoramento dos fragmentos e manutenção do processo, a fim de garantir que tudo seja realizado da melhor forma. “Queremos observar de perto se existe um manejo necessário ou se será preciso aumentar a diversidade em um segundo momento de plantio, se precisaremos adotar outras técnicas de controle de fatores de degradação, dentre outros”, complementa.

Crédito das fotos: CEPAN, SAVE e WWF-Brasil


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