Semeadura Direta pioneira do Cepan em restauração florestal na Paraíba

Postado em 04/10/2021

Ação recuperou 25 hectares de áreas degradadas usando uma das técnicas mais avançadas de restauração, pela primeira vez utilizada em larga escala na Mata Atlântica ao norte do Rio São Francisco

O trabalho do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) na recuperação de áreas degradadas na Paraíba dá um importante passo para melhorar a conectividade entre fragmentos florestais no Corredor Pacatuba-Gargaú (PB). Em agosto, a instituição conduziu a restauração de 25 hectares através da técnica de Semeadura Direta, de forma pioneira para a região – estima-se que seja a primeira restauração florestal com muvuca de sementes nesta escala ao norte do rio São Francisco.

Para a atividade, foram utilizados mais de 1.200 kg de sementes de 87 espécies nativas, a exemplo de árvores como sucupira, catanduva, saboneteira, além de várias espécies de ipês. As coletas das sementes iniciaram em julho de 2020, quando começou o projeto. “Essa é uma área estratégica para conservação da biodiversidade e restabelecimento dos serviços e funções ecossistêmicas da Mata Atlântica ao norte do rio São Francisco”, pontua Fabiane Santos, coordenadora técnica do Cepan.

Antes de tudo, as sementes precisam ser coletadas na natureza. O trabalho mobilizou quase 20 pessoas que residem na localidade dos plantios, entre os municípios de Sapé e Santa Rita. Uma atividade sustentável e que gera oportunidade de trabalho e renda, contribuindo com a cadeia produtiva da restauração na região. No preparo da muvuca, as sementes são misturadas a espécies de adubação verde. “Assim queremos melhorar o solo, estabelecer cobertura vegetal, estabelecer um microclima para que sementes nativas tenham condições de germinar”, explica o coordenador geral do Cepan, Joaquim Freitas.

Após etapas de planejamento e captação dos insumos, os plantios ocorreram em agosto passado. O solo foi preparado e a semeadura se deu parte por maquinário e parte manualmente. Uma tática inteligente que deu escala e eficiência ao processo de restauração florestal. “Agora vamos às ações de monitoramento, para entender como se dará a trajetória de desenvolvimento desse tipo de plantio ao norte do rio São Francisco, para trazer a técnica mais calibrada e acessível para a região”, detalha Joaquim.

Dia da Mata Atlântica: Projeto do Cepan recupera florestas nativas na Paraíba

“A semeadura simula o ciclo de sucessão ecológica da floresta, de forma que há espécies germinando em diferentes tempos. Por aqui se conhece muito o plantio com muda. As pessoas ficam inseguras a princípio, porque é algo novo. Mas, uma semana depois do plantio, já tinha um tapete verde ali sendo formado”, vibra Fabiane, explicando o que torna a técnica tão inovadora. O incremento florestal nessa localidade, no futuro, servirá ainda como habitat para espécies ameaçadas de extinção, atuando pela preservação da diversidade biológica nativa da Mata Atlântica brasileira.

A semeadura direta foi apenas uma das técnicas utilizadas no Projeto de Incremento da Conectividade Estrutural no Corredor Pacatuba-Gargaú, realizado pelo Cepan em parceria com a Japungu Agroindustrial e a EcoOcelot. Encaminhando-se para o término em dezembro de 2021, o projeto cumpre, ao todo, mais de 124 hectares restaurados – incluindo mais 30 ha recuperados por plantio de muda e outros 69,3 ha por condução da regeneração natural – que devem gerar aproximadamente 446 mil árvores. O projeto conta com apoio da empresa alemã Ecosia.


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