Rede de Sementes identifica espécies-chave para restaurar Bacia do Rio Doce

Postado em 29/01/2021

Conheça 10 espécies detectadas pelo projeto que são fundamentais em atividades de reflorestamento via Semeadura Direta. (Foto – Mudas de Jatobá, por Cláudio Tavares/ISA)

Astronium graveolens, Cariniana legalis, Bixa arborea… Estas são apenas algumas das espécies com ocorrência na flora nativa da Bacia do Rio Doce. Desde 2019, a região recebe sementes nativas, utilizadas em ações de restauração florestal, e assistência técnica na implementação da metodologia de semeadura direta por meio do projeto Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce. De maneira a planejar as ações de forma estratégica e potencializar os reflorestamentos em andamento, a iniciativa listou 10 espécies-chave que são protagonistas no processo.

A Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce é fruto de uma parceria firmada entre a Fundação Renova e o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), com a colaboração da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O projeto representa uma das várias frentes que objetivam recuperar, no prazo de 10 anos, 5 mil nascentes e 40 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs), como forma de compensação ambiental pelo desastre da barragem de Mariana (MG), em 2015. Para isso, conta, entre outras iniciativas, com a restauração através do método semeadura direta, uma das técnicas mais eficientes e de menor custo, cujo plantio ocorre com sementes das espécies nativas da região.

A Rede está trabalhando em uma lista prioritária de espécies cujas sementes são potenciais para estarem presentes nas muvucas. É como são chamadas as misturas com sementes de diversas espécies, cultivadas nas áreas a serem restauradas. “A listagem inclui espécies não necessariamente endêmicas, mas com origem no bioma e fitofisionomias da Bacia do Rio Doce, figurando de forma relevante na conservação da biodiversidade da região”, comenta Lara Ribeiro, analista de projetos do Cepan, atestando que o acesso à informação é fundamental na identificação das espécies e coleta das sementes de forma correta.

“Pode ocorrer um problema sério na rastreabilidade das sementes, muitas vezes identificadas de forma incorreta ou vendidas como outras espécies. A listagem, assim como outros produtos que estão em elaboração, como o Guia de Campo, ajudará as pessoas que atuam na coleta e facilitará o processo produtivo das sementes”, detalha ela. Até o momento, foram 118 espécies elencadas pela Rede, sendo que 10 delas terão suas especificidades, como descrição dos frutos, sementes e flores, disponibilizadas em um dos materiais que estão sendo elaborados para os coletores e técnicos que atuam na coleta, beneficiamento e armazenamento das sementes, a fim de otimizar esses procedimentos.

Para democratizar o acesso dos dados aos atores envolvidos, nos próximos meses, a Rede lançará folhetos especiais com informações detalhadas sobre as espécies-chave. Os informativos estão sendo elaborados pelo Laboratório de Sementes e Mudas (LASEM) da USFCar, sob coordenação da professora Fátima Pinã-Rodrigues, e abordará não somente características de cada espécie, mas também orientações sobre armazenamento, fenologia, germinação, maturação e coleta, favorecendo o acompanhamento do plantio em todas as etapas. O material deve ser disponibilizado até o fim do primeiro semestre de 2021.

 

Confira aqui 10 espécies-chave para reflorestamento na Bacia do Rio Doce:

 

1 – Astronium graveolens

FOTOS: 1 e 3 – Eugênio Arantes/ISA; 2 – Tui Anandi/ISA

Chamada popularmente de Guaritá ou Aroeira-Preta, é uma espécie da família da Anacardiaceae. É nativa da região e é predominante no Cerrado brasileiro. Sua madeira resistente é usada na movelaria. As cascas e folhas são muito utilizadas na fitoterapia popular. A coleta de sementes ocorre entre agosto e outubro ou outubro a novembro, a depender da região do bioma Mata Atlântica. Na semeadura direta compõe as espécies de diversidade, de rápido crescimento, sendo considerada uma espécie longeva atingindo mais de 100 anos no ciclo de tempo da floresta.

 

2 – Cariniana legalis

 FOTOS: Eugênio Arantes

Considerada a maior árvore nativa brasileira, podendo medir até 50 metros de altura e ter troncos com até 7 metros de diâmetro. Tem o nome popular de Jequitibá-Rosa, que inspirou nomes de cidades, ruas e palácios. É da família Lecythidaceae e ocorre por quase toda região leste do Brasil. A coleta de sementes ocorre entre agosto e setembro. Na semeadura direta compõe as espécies de diversidade, sendo considerada uma espécie longeva atingindo mais de 100 anos no ciclo de tempo da floresta, e possui lento crescimento.

 

3 – Bixa arborea

FOTOS: 1 – Marcelo Martins/ISA; 2 – Luciano Langmantel Eichholz/ISA; 3 – Ton Koene/ISA.

É o Urucum arbóreo ou Urucum da mata. Da família Bixaceae, é caracterizada por uma floração clara, pequena e muito vistosa. Com boa predominância em Minas Gerais, possui um fruto bem característico, de cor marrom, em formato de cápsula e com espinhos. A coleta de sementes ocorre entre novembro e janeiro. Na semeadura direta compõe as espécies de diversidade, sendo de rápido crescimento, é considerada uma espécie de sub-bosque e que permanece menos tempo no ciclo da floresta, cerca de 10 anos.

 

4 – Dialium guianense

Espécie importante para a recomposição de áreas ciliares. Sua etimologia está ligada às Guianas, sendo presente entre América Central e todo o Brasil, onde é conhecida como Jataipeba e Beijo de Coco. Da família Fabaceae, seu fruto, o Azedinho, é comestível e é muito apreciado pelas aves. A coleta de sementes ocorre entre julho e dezembro. Na semeadura direta compõe as espécies de diversidade, de crescimento lento, sendo considerada uma espécie longeva atingindo mais de 100 anos no ciclo de tempo da floresta. Os coletores das etnias Tupiniquim e Guarani – conhecidos como grupo Tupiguá -, localizados em oito aldeias no território indígena de Aracruz (ES), forneceram, em 2019, um quantitativo de 47kg de Dialium guianense para a Rede.

 

5 – Cordia trichotoma

Chamada de Louro-pardo ou Freijó, da família Boraginaceae, é nativa da América do Sul, aparecendo no Brasil, na Argentina e ainda no Paraguai e na Bolívia. Sua madeira, de cor castanho amarelado, é muito utilizada pela indústria de móveis. A coleta de sementes ocorre entre junho e julho. Na semeadura direta compõe as espécies de diversidade, sendo considerada uma espécie de média longevidade, atingindo menos de 100 anos no ciclo de tempo da floresta, e possui rápido crescimento.

 

6 – Handroanthus hepthaphyllus

FOTOS: 1 – Beto Ricardo/ISA; 2 – Rafael Rios/ISA.

Típica árvore sul-americana, presente em muitas cidades brasileiras. Tem utilização para vários fins, mas principalmente o ornamental. Da família Bignoniaceae, rende floração vasta e muito colorida em tons lilás ou róseo, que rendem à árvore o nome popular de Ipê-Rosa ou Ipê-Roxo. A coleta de sementes ocorre entre setembro e novembro. Na semeadura direta compõe as espécies de diversidade, de lento crescimento, sendo considerada uma espécie de média longevidade, atingindo menos de 100 anos no ciclo de tempo da floresta.

 

7 – Hymenaea courbaril

 FOTOS: 1 – Pamela Moser/ISA; 2 – Raphael Mauro/ISA; 3 – Tui Anandi/ISA. 

Mais conhecida como Jatobá, essa espécie da família Fabaceae se caracteriza por copa frondosa, e flores brancas ou beges em pedúnculos. Seu fruto, em forma de vagem, muito consumido por animais silvestres, é considerado sagrado para alguns povos indígenas. A coleta de sementes ocorre entre julho e dezembro. Na semeadura direta compõe as espécies de diversidade, sendo considerada uma espécie longeva atingindo mais de 100 anos no ciclo de tempo da floresta, e de lento crescimento.

                  

8 – Joannesia princeps

FOTOS: 1 e 2 – Eugênio Arantes; 3 – Maurício Mercadante.

Árvore da família Euphorbiaceae, considerada ameaçada de extinção. Tem vários nomes populares como Andá-guaçu, Boleira e Cutieira, sendo endêmica do Brasil. Seu fruto é bem característico e lembra uma espécie de cápsula. A coleta de sementes ocorre em variadas épocas do ano, dependendo da região do bioma de Mata Atlântica. Na semeadura direta compõe as espécies de recobrimento, de rápido crescimento, sendo considerada uma espécie de média longevidade, atingindo menos de 100 anos no ciclo de tempo da floresta.

 

9 – Sapindus saponaria

FOTOS: 1 e 2 -Maurício Mercadante/ISA; 3 –  Luciano Langmantel Eichholz/ISA.

Bolebeira, Fruta-de-Sabão, Jequiri, Saboneteira, Jerica… Esta espécie da família Sapindaceae possui um fruto, chamado de Sabão de Soldado, que dá em cachos, em pequenos globos esféricos. Como a etimologia sugere, os frutos têm características saponáceas, podendo substituir o sabão convencional. A coleta de sementes ocorre em setembro e outubro. Na semeadura direta compõe as espécies de diversidade, de médio crescimento, sendo considerada uma espécie de média longevidade, atingindo menos de 100 anos no ciclo de tempo da floresta.

 

10 – Tabebuia roseoalba

FOTOS: 1 e 2 – Maurício Mercadante.

Da família Bignoniaceae, é outra espécie que origina as árvores Ipê-rosa e Ipê-branco, também chamados de Ipê-do-Cerrado ou Pau-D’arco. Seu nome vem do tupi-guarani – “tabebuia” significa “madeira que flutua”, e o sobrenome é indicativo à coloração das flores, que variam em tonalidades de branco e rosa. A coleta de sementes ocorre entre outubro e março. Na semeadura direta compõe as espécies de diversidade, de crescimento lento, sendo considerada uma espécie longeva atingindo mais de 100 anos no ciclo de tempo da floresta.


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