Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce e Iniciativa Caminhos da Semente realizam monitoramento em primeiras áreas semeadas

Postado em 20/02/2020

Entre os dias 17 e 19 de fevereiro de 2020, uma equipe técnica visitou os municípios de Periquito, São Vitor e Galileia (MG).

Tão importante quanto realizar uma ação de restauração florestal, é fazer o seu acompanhamento e analisar os resultados. Desta forma, é possível acompanhar o grau de êxito da atividade e indicar ações para melhoria. Seguindo essa linha, o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), por meio do projeto Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, realizou monitoramento do processo de restauração florestal, através de semeadura direta, que está sendo executado ao longo da bacia do Rio Doce – que integra os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. O plantio aconteceu no final de 2019 e a visita aconteceu entre os dias 17 e 19 de fevereiro de 2020 por uma equipe técnica, formada por um engenheiro e uma engenheira florestais, um geógrafo e um biólogo, aos municípios de Periquito, São Vitor e Galileia (MG), onde estão sendo restaurados cerca de 28 hectares. Essa área semeada está inserida em uma meta traçada pela Fundação Renova de recuperar 40 mil hectares em um prazo de dez anos. O trabalho de monitoramento está sendo feito em parceria com a Iniciativa Caminhos da Semente, formada pelo Instituto Socioambiental, a Partnership for Forests e a Agroicone.

Neste primeiro momento, foi analisada uma amostra de 2,5 hectares, que reúne três metodologias de plantio: semeadura direta ao lado dos “berços” que recebem as mudas, semeadura em linhas alternadas com mudas e as áreas plantadas exclusivamente com a semeadura direta. O projeto Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce é uma parceria entre a Fundação Renova e o Cepan, e teve início em julho de 2019, com a coleta de sementes, e, apesar do pouco tempo, já demonstra que a técnica está funcionando bem. “Ainda não temos dados tabulados, mas empiricamente percebemos uma boa germinação das áreas e uma boa densidade de plantas”, afirma Joaquim Freitas, coordenador de Projetos do Cepan. Ele ressalta que o monitoramento é crucial para quantificar como está o processo de restauração e nortear a equipe para que possa pensar ações, corretivas e/ou preventivas, dentro do que foi identificado em campo.

O engenheiro florestal Edézio Miranda, técnico da iniciativa Caminho das Sementes, compartilha da mesma opinião. “Em apenas dois meses de plantio, o resultado está bastante positivo, em comparação às mudas. Nas regiões que visitamos, estamos tendo uma predominância das espécies Boleira, Tamboril, Urucum e Cajazinho. Tudo isso depende da proporção de sementes por cada área”, diz. Para o agricultor Mário Francisco de Assis, dono de uma propriedade que abriga uma área monitorada, o projeto é muito importante. “As sementes ajudam as mudas a germinarem, o que garante o plantio. Acredito que com isso, vamos voltar a ter água em nossa terra”, afirma e comemora os primeiros resultados: “Já está bonito demais”.

Uma das expectativas com o projeto é ir além do seu tempo de vigência, que são três anos. Nesse período, uma das metas que deve ganhar prioridade no âmbito do projeto é a estruturação da Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, uma teia que articula elos da cadeia produtiva de restauração, a exemplo de coletores de sementes, produtores de mudas, demandadores de ações de restauração e técnicos com o objetivo de melhorar a comunicação entre esses atores bem como potencializar a disponibilidade de insumos para restauração. A introdução de atores sociais, a exemplo de quilombolas, indígenas, pequenos produtores, mulheres e negros está entre as prioridades da rede, visando garantir a pluralidade na representatividade e reunir os mais diversos potenciais e saberes populares a serviço da restauração florestal.

A ideia é que, no futuro, essa rede possa caminhar sozinha, sem a mediação do Cepan e a Fundação Renova. “Pretendemos fazer uma série de capacitações e troca de experiência entre os coletores que estão mobilizados para que possam se empoderar acerca do processo de restauração como um todo. Com isso, almejamos que o monitoramento seja realizado de forma contínua”, explica Joaquim Freitas. Dessa forma, sempre serão gerados dados sobre o funcionamento do processo de restauração e germinação, e esses números coletados vão compor uma base de dados nacional.

As áreas de atuação do projeto Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce foram firmadas no Termo de Transação de Ajuste de Conduta (TTAC), planejado e assinado por diversas organizações, e definidas no âmbito do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. No processo de escolha das terras, foram levadas em consideração Áreas de Preservação Permanente (APPs) e áreas potenciais para a melhoria da recarga hídrica dos lençóis freáticos. A seleção das plantas foi baseada numa lista de espécies que existiam na região, com a finalidade de tentar trazer de volta um ecossistema mais próximo do original.

A semeadura direta foi o método escolhido por possuir duas grandes vantagens. A primeira é a redução de custos aliados a uma diminuição do processo de preparação do material de plantio se comparado com a muda, que tem um ciclo de até seis meses de preparação até que possa estar apta a ir para o campo. Já a semente é mais flexível, pois pode ser coletada em diversas áreas e transportada de forma mais fácil. A outra vantagem é o amplo potencial de envolver atores chave dos territórios, sobretudo nas atividades de coleta de sementes, e conseguir fazer um repasse de recurso financeiro para essas pessoas, melhorando a situação de renda das famílias.

Confira algumas fotos da atividade de monitoramento:

Até o momento, o projeto já conseguiu vários resultados exitosos. Para as primeiras ações de restauração da Bacia, foram disponibilizadas 5,5 toneladas de sementes, que foram coletadas, em grande parte, pelos 51 atores mobilizados nas aldeias indígenas Tupiniquins e Guaranis, de Aracruz (ES). Deste total, 83% são mulheres, o que é visto com positividade pelos técnicos do projeto, pois uma das preocupações é garantir uma boa representativa de mulheres nas atividades da Rede. A Rede pretende ampliar esse número com a mobilização também das populações quilombolas e de pequenos agricultores.

Sobre a Iniciativa Caminhos da Semente

A Iniciativa Caminhos da Semente é uma rede de organizações coordenada pela Agroicone, com apoio do Instituto Socioambiental (ISA) e do programa Partnerships For Forests (P4F), e trabalha com o objetivo de aumentar o uso da semeadura direta na recomposição da vegetação.

Créditos das Fotos: CEPAN


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