Projeto capacitou 25 mulheres para coleta, armazenamento e comercialização de sementes florestais nativas, impulsionando a restauração ecológica e a inclusão social.
O projeto “Rede de Sementes e Mulheres da Mata Atlântica Pernambucana”, conduzido pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), capacitou 25 mulheres de cinco municípios da Zona da Mata em técnicas de coleta e comercialização de sementes florestais nativas. A iniciativa, financiada pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (FEMA), através Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas/PE), promove a criação e estruturação de grupos de coletores de sementes, conectando demandas de restauração com a oferta de insumos de origem local e comunitária. Além de incentivar a restauração ecológica em áreas degradadas da Mata Atlântica, esse tipo de atividade tem o potencial de promover geração de renda para as comunidades envolvidas.
Desde o início do projeto, em agosto de 2022, o CEPAN formou mulheres de cinco municípios pernambucanos, oferecendo uma extensa capacitação técnica presencial, tanto com aulas teóricas quanto práticas. As participantes foram preparadas para atuar na coleta, armazenamento e comercialização de sementes florestais nativas, fortalecendo a cadeia produtiva da restauração no estado. Segundo Sofia Zagallo, analista de projetos do Cepan, a ação preenche uma lacuna importante na região, onde não existia uma rede organizada de sementes florestais, como ocorre em outras partes do Brasil. “Não existem redes de coletores na Mata Atlântica nordestina acima do Rio São Francisco, especialmente em Pernambuco. Este projeto é pioneiro nesse sentido”, afirma Sofia.

A demanda por sementes nativas na região provém de diversas iniciativas de restauração, tanto públicas quanto privadas, como ONGs, empresas e órgãos governamentais que executam ações de recuperação de áreas degradadas e/ou compensação ambiental. O projeto visa não apenas que as beneficiárias estejam capacitadas para fornecer essas sementes, mas também incentivar a geração de renda para as mulheres envolvidas na rede, muitas delas agricultoras familiares, quilombolas e assentadas da reforma agrária. “Além dos benefícios ambientais, como a facilitação do processo de restauração utilizando insumos locais e reduzindo a necessidade de importação, o projeto promove a inclusão social e econômica dessas mulheres, que podem passam a ser remuneradas pela coleta e comercialização de sementes”, destaca Sofia.

Para a seleção das participantes, o CEPAN contou com a parceria da Comissão Permanente de Mulheres Rurais de Pernambuco (CPMR-PE), vinculada à Secretaria da Mulher. O processo incluiu critérios definidos em edital, priorizando mulheres já inseridas em atividades relacionadas à agrofloresta ou com interesse em temas ambientais. A maioria das selecionadas já tinha histórico de atuação em suas comunidades, o que facilitou o desenvolvimento das atividades.
O projeto “Rede de Sementes e Mulheres da Mata Atlântica Pernambucana” beneficiou diretamente cinco associações comunitárias em diferentes municípios da Zona da Mata. Em Lagoa de Itaenga, a Associação dos Produtores Agroecológicos e Moradores das Comunidades do Imbé, Marreco e Sítios Vizinhos foi uma das contempladas. Já em Rio Formoso, a Associação da Comunidade Quilombola Engenho Siqueira integrou o grupo de mulheres capacitadas. No município de Barreiros, a Associação de Mulheres Agricultoras, Apicultoras e Agroecológicas Flores de Ximenes também participou da iniciativa. Em Catende, o Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Catende esteve à frente das atividades. E em Chã Grande, a Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Palmeiras também participou dos cursos de capacitação para coleta de sementes.

O projeto, que estava no âmbito do Programa de Reflorestamento do estado, foi um dos quatro selecionados em edital do Governo de Pernambuco, que dividiu as regiões de atuação entre diferentes instituições. Além do CEPAN, que ficou responsável pela Mata Atlântica, outras organizações como Cáritas e a Casa da Mulher do Nordeste trabalharam em áreas do Agreste e Sertão, respectivamente. “Essas parcerias fortaleceram a articulação entre as instituições e as mulheres da zona rural em todo o estado, promovendo o debate sobre a criação de uma rede estadual de coletoras de sementes. Essa iniciativa tem o potencial de gerar impactos positivos tanto sociais quanto ambientais”, conclui Sofia.

Ainda no âmbito do projeto, foi realizada a entrega de 25 kits individuais e 18 kits comunitários para as beneficiárias. Esses kits eram compostos por ferramentas e equipamentos de proteção para as mulheres, essenciais para o trabalho de coleta e comercialização das sementes. Ao unir restauração ecológica e protagonismo feminino, a Rede de Sementes e Mulheres da Mata Atlântica Pernambucana demonstra como projetos voltados à sustentabilidade podem ser transformadores, tanto para o meio ambiente quanto para as comunidades locais. O projeto reafirma o papel do CEPAN na promoção de ações inovadoras de restauração e inclusão social em Pernambuco.




