Primeiro monitoramento em áreas plantadas por meio de semeadura direta na Bacia do Rio Doce (MG) revela resultados positivos

Postado em 26/05/2020

Levantamento mostrou boa germinação, apresentando 26 espécies diferentes, sem a necessidade de replantio na maior parte das áreas

 

A Bacia do Rio do Doce tem motivos para comemorar! Em suas áreas, crescem novas árvores fortes e saudáveis. É o que afirma o resultado do monitoramento realizado pela Iniciativa Caminhos da Semente, entre os dias 17 e 19 de fevereiro, em parceria com a Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, uma articulação que reúne elos da cadeia produtiva de restauração florestal, criada pela Fundação Renova em parceria com o Cepan, cuja atuação se dá na Bacia do Rio Doce, que banha os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Os dados mostram que houve boa germinação, tanto que foram identificadas em uma das áreas quase seis plantas por berço – local cavado no solo onde as mudas são abrigadas. Sendo assim, a média de germinação das amostras foi de 9.333 plantas por hectare, e que de acordo com o primeiro acompanhamento, obtiveram sucesso nessa primeira leitura. Nos locais onde o aproveitamento não foi tão grande, foi detectada uma média de 883 plantas germinadas por hectare. A inspeção abrangeu as primeiras áreas plantadas com semeadura direta, nos municípios de Periquito, São Vitor e Galiléia, no estado de Minas Gerais. Nos plantios, foram utilizadas três metodologias: semeadura direta em berço, que consiste no plantio das sementes no pé da muda; semeadura direta em linhas – intercalando linhas de sementes com linhas de mudas com uma distância de três metros entre cada uma delas -; e também semeadura direta a lanço, que corresponde à distribuição manual das sementes em área total.

De um total de 57 espécies utilizadas no plantio, foram identificados 26 tipos de plantas diferentes germinadas, ou seja, quase 50% de aproveitamento. Esse resultado, que já é positivo, considerando o tempo da semeadura em média de 30 e 60 dias, pode ser ainda melhor. Com o passar do tempo, outras espécies irão germinar e serão apontadas em monitoramentos futuros, aumentando a diversidade dos plantios. Dentre as espécies germinadas, as mais comuns são Guaritá (Astronium graveolens), Ipê-Rosa (Handroanthus impetiginosus), Boleira (Joannesia princeps), Tamboril (Enterolobium contortisiliquum), Jatobá (Hymenea courbaril), Urucum (Bixa orellana) e Maracujá – doce (Passiflora amethystina). O levantamento também é importante para identificar correções necessárias, garantindo assim que o desenvolvimento das sementes ocorra com êxito. Nessa direção, o documento alertou para observação, além de outros pontos, dos espaçamentos entre as semeaduras e o aumento das espécies de adubação verde, visando garantir o sucesso na cobertura inicial da área.

Nesse primeiro momento, especificamente, as espécies cultivadas por meio da semeadura direta em berço demonstraram resultados satisfatórios, com uma boa germinação. Essa constatação traz impactos positivos também no aspecto econômico. “Em geral, os exemplos de plantios com semeadura direta que seguiram um bom protocolo em relação a todas as etapas, apresentaram bom estabelecimento, boa cobertura e alta diversidade. Dessa forma, a técnica exige menor replantio, menor manutenção, assegurando uma economia no processo. O recurso economizado pode ser aplicado em novas áreas”, destaca a analista de Projetos do Cepan, Lara Ribeiro. É importante considerar que tecnicamente a plântula, fase da semente posterior à germinação, precisa de um ano após o plantio para ser considerada estabelecida, e o seu êxito depende também do acompanhamento frequente da área com o intuito de realizar possíveis correções.

Em curto e médio prazo, as ações de restauração florestal devem impactar de forma positiva a vida e os ecossistemas da região. “Essas ações trazem como benefícios a restruturação dos serviços ecossistêmicos de provisão, como melhoria da disponibilidade hídrica por exemplo; serviços de regulação do microclima local, qualidade do ar e controle de erosão, polinização e dispersão de sementes; regulação dos fluxos de água, secas e inundações; serviços culturais como beleza cênica e conservação da paisagem; e valor científico, entre outros benefícios que a floresta oferta”, explana.

A área monitorada é de 11,03 hectares. O número é uma amostra representativa, pois corresponde a quase um quarto dos 44,4 hectares plantados. Essa extensão faz parte da meta de 40 mil hectares, estabelecida pela Fundação Renova, a serem restaurados em dez anos. Esse objetivo consiste em uma das maiores propostas de restauração florestal realizadas em uma bacia hidrográfica no Brasil e no mundo. A Rede de Mudas e Sementes e as instituições colaboradoras, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Associação Rede de Sementes do Xingu, (ARSX) trabalham juntas nas ações de reparação e de compensação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, no município de Mariana, em 2015.

O trabalho com semeadura direta é pioneiro na localidade. Por essa razão, a ação está sendo desenvolvida com o intuito de criar referências para os próximos plantios. “Essa experiência será uma unidade de aprendizagem. A ideia é que esses dados sejam parte da construção de um saber técnico e científico sobre a semeadura direta na Bacia, permitindo também a comparação entre o cenário local com o restante do Brasil. Essas informações devem ser divulgadas pela Iniciativa Caminhos da Semente, juntamente com os dados de outras áreas plantadas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará e no Rio de Janeiro”, conclui.

O monitoramento, estratégia relevante no processo de plantio, é uma atividade a ser realizada de forma constante ao longo do projeto. A perspectiva é identificar os resultados positivos e os ajustes a serem feitos, visando a melhoria no desenvolvimento das espécies já plantadas e o aperfeiçoamento dos novos plantios. O projeto Rede de Mudas e Sementes na Bacia do Rio Doce tem como objetivo estruturar uma articulação formada por elos da cadeia produtiva de restauração florestal, a exemplo de coletores de sementes, produtores e demandadores de mudas, com o intuito de potencializar a oferta e a comercialização de insumos. A pluralidade na representação é uma das prioridades desse espaço que, hoje, conta com indígenas, mulheres e pequenos produtores e pretende mobilizar também quilombolas e outros atores sociais. Uma vez estruturada, a ideia é que a sua atuação se dê de forma independente, organizada e dinâmica, favorecendo os processos de restauração florestal e gerando renda para as famílias envolvidas.

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