Estudos do Cepan validam criação da UC Monumento Natural Serra do Pará

Postado em 05/10/2020

Análises feitas pela instituição, em parceria com a Ambiental Consulting, ajudaram a respaldar o Projeto de Lei que estabelece nova Unidade de Conservação no Sertão pernambucano

Vitória para a Caatinga pernambucana em tempos de degradação ambiental em alta. Um dos biomas mais ameaçados do Brasil ganhou no último mês de agosto um importante espaço de preservação – o Monumento Natural Serra do Pará. No dia 12 do referido mês foi assinado o decreto que estabelece a criação da Unidade de Conservação. Estudos conduzidos pela Ambiental Consulting, com suporte do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), foram essenciais para ratificar e aprovar o projeto proposto pela Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH).

A aprovação aconteceu após detalhados estudos que vinham sendo realizados desde 2019, através dos quais o Cepan apurou informações sobre a flora local e comprovou a necessidade dos territórios se tornarem legalmente protegidos, somando-se a evidências provenientes dos demais levantamentos realizados pela Ambiental Consulting, como as informações sobre a fauna local. A medida é destaque entre os desdobramentos do Projeto de Sustentabilidade Hídrica de Pernambuco – PSHPE, uma iniciativa do Governo do Estado para criar Unidades de Conservação e Corredores Ecológicos na Bacia do Rio Capibaribe. 

Os estudos resultaram na análise de cinco áreas estratégicas do projeto e na identificação do território da Serra do Pará, em Santa Cruz do Capibaribe, como prioritário para preservação. São mais de 1.300 hectares de território em quase 11 km que se estendem até a Serra do Pico, sua vizinha, podendo chegar a quase 700 m de altitude. Fica no município de Santa Cruz do Capibaribe, e atrai visitantes e praticantes de atividades ao ar livre. Agora, a área ganha o título de Monumento Natural (MONA), classificação destinada a sítios raros, com características singulares. 

Em suas análises, o Cepan identificou particularidades sobre a vegetação na localidade. “Há diversidade florística na região, com poucas espécies exóticas e boa diversidade de nativas, entre elas duas – Angico e Baraúna – que já foram consideradas ameaçadas de extinção, segundo o IBGE (2008), mas que hoje estão fora dessa lista”, comenta Anderson Silva, consultor do Cepan que acompanhou os monitoramentos. Além da flora, a UC abriga um rico patrimônio arqueológico e de beleza cênica. Rochas e fragmentos de solo observados apontam à Era Proterozoica, com pelo menos 500 milhões de anos.

“Há um incrível paredão rochoso com pinturas rupestres datadas de mais de 10 mil anos, de acordo com a população local”, detalha Anderson. Com 30 metros de altura e 100 de largura, são aproximadamente 50 metros de superfície preenchida por pinturas milenares. O paredão fica no Sítio Parazinho e já figurava no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 2006. Inserida dentro de uma UC, sua preservação agora ganha contornos mais nítidos e amplos.

Em relação à fauna, a Ambiental Consulting encontrou variadas espécies. Dos mais de 140 tipos de aves identificadas, pelo menos 19 são restritas do território da Caatinga, como o bacurauzinho-da-caatinga (Nyctidromus hirundinaceus) e o picapauzinho-canela (Picumnus fulvescens). O destaque foi um casal de águias-chilenas, um tipo raro para a região que encontrou ali o seu lar. “Essa diversidade proporciona a dispersão de sementes favorecendo ainda mais a florística”, aponta o consultor. Outras 11 espécies de mamíferos também são nativas da localidade, a exemplo dos tipos felinos Jaguatirica e Gato-Mourisco. 

Em um segundo momento do projeto, entrevistas com moradores locais apuraram oportunidades socioeconômicas a serem geradas com a criação da UC. Após uma consulta pública, o projeto testemunhou um forte engajamento social, composto por populares, políticos e organizações diversas que apoiavam a proteção da Serra. “Com a proteção ambiental, a intenção é que as ações antrópicas possam ser controladas com ajuda de guias locais, gerando oportunidades sociais e econômicas ao município e gestão das riquezas naturais ”, assinala Anderson.

Os próximos passos do PSHPE são aprovar UCs nas outras quatro áreas avaliadas pelo estudo, elevando ainda mais o número de áreas protegidas na Bacia do Rio Capibaribe. Outras áreas de natureza exuberante similar que já estão protegidas pela legislação são o Parque Natural de Serra Negra (Bezerros), o complexo ecoturístico Karawa-Tã (Gravatá) e o MONA Pedra do Cachorro (São Caetano).

Confira imagens do MONA Serra do Pará:

(Fotos: Anderson Silva)


Todas as notícias...