Em visita a RPPNs na Paraíba, Cepan identifica espécies raras e em extinção

Postado em 06/03/2020

Visita faz parte de um projeto realizado em parceria com startup alemã Ecosia, e planeja a implantação de um corredor ecológico entre as RPPNs Engenho Gargaú e Fazenda Pacatuba

Em meio a um ambiente predominantemente ocupado por cana de açúcar e pasto, foram identificados fragmentos de Mata Atlântica, com um estado avançado de conservação e estrutura, além da presença de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Esse foi o cenário encontrado pela equipe do CEPAN ao visitar as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) Engenho Gargaú e Fazenda Pacatuba, que ficam na propriedade da Usina Japungu, em Santa Rita (PB). Ambas totalizam 1.300 hectares preservados. O encontro aconteceu entre os dias 2 e 4 de março e reuniu o coordenador de Projetos do CEPAN, Joaquim Freitas, a analista de Projetos do CEPAN, Fabiane Santos, e os funcionários da Usina Antonio Campos, do setor de topografia, e Fernanda Félix, do departamento de Gestão Ambiental. A ação fez parte de um projeto realizado em parceria com a startup alemã Ecosia para mapear as potenciais áreas para restauração florestal, a fim de que haja uma conectividade entre os fragmentos, formando um corredor ecológico. A junção visa aumentar a quantidade de habitat nessa paisagem, garantindo a mobilidade de espécies de fauna e flora e a conservação dos serviços ecossistêmicos.

“Essas RPPNs são dois dos fragmentos com maior riqueza de espécies localizados na Paraíba e extremamente relevantes para a conservação da biodiversidade da região”, ressalta Fabiane e complementa: “Encontramos um cenário bastante favorável, tanto pelas condições ambientais, quanto por parte dos proprietários de terras que têm o interesse em ceder essas áreas e oferecer contrapartidas para que o projeto seja viável”, afirma. Além das riquezas vegetais, a região abriga uma grande variedade animal, incluindo espécies raras e em extinção, como jaguatiricas (Leopardus pardalis), macacos- pregos-galegos (Sapajus flavius) e guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul – foto destaque), e exemplares desta última espécie foram avistados na visita técnica da equipe (confira nos vídeos). “A presença de felinos de médio e grande porte é cada vez mais difícil de se registrar na Mata Atlântica brasileira. Então, encontrá-los é considerado um indicativo de saúde do ecossistema e aponta alto valor de conservação. Normalmente essas espécies exigem áreas mais extensas de floresta madura. E para que essas populações cresçam, é preciso um incremento de cobertura florestal e uma maior conectividade”, explica. Outra característica positiva dessas RPPNs é o grande potencial de provisões hídricas, com uma série de nascentes e minadouros. A restauração dessas áreas pode garantir a conservação da biodiversidade local e trazer uma série de benefícios para a sociedade.

Durante os três dias, os profissionais conversaram com parceiros, coletaram dados e coordenadas em GPS, gravaram vídeos e registraram imagens. O próximo passo é estudar e mapear adequadamente as áreas para saber a verdadeira dimensão em hectares e quais as situações ambientais de cada local. Assim, o CEPAN poderá planejar adequadamente de acordo com as características encontradas e direcionar quais insumos, quantidade de adubo, mudas, sementes, pessoas e máquinas serão necessárias para executar adequadamente a restauração. Para isso, o projeto pretende utilizar diferentes técnicas, focando principalmente nas tecnologias e metodologias de baixo custo. “Observamos áreas com diferentes potencialidades para intervenção. Algumas exigem plantio direto, outras apenas requerem o enriquecimento das espécies. Há ainda as que precisam de uma simples condução da regeneração natural. Reduzindo esses fatores de degradação, já tornaria a área apta a receber novamente sementes e propágulos de sementes vegetais”, afirma.

Confira imagens da visita técnica realizada pela equipe do CEPAN:

 Ecosia

A Ecosia é um mecanismo de busca online alternativo ao tradicional Google. A startup alemã foi fundada no final de 2009 e reverte grande parte do lucro a organizações sem fins lucrativos que atuam com conservação e reflorestamento. “A organização apoia diversos parceiros na América do Sul, África e Ásia, onde está concentrada a maioria das florestas tropicais do mundo, que apresentam uma alta biodiversidade e também são altamente relevantes para a provisão de serviços ecossistêmicos para todo o planeta”, conta Fabiane. A parceria entre o Cepan e a Ecosia em prol da restauração da Mata-Atlântica acontece desde 2017.

Foto destaque: Guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul) – Haroldo Palo Jr.

Demais fotos e vídeos: CEPAN


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