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Dia da Caatinga: Cepan celebra a data pela primeira vez na Chapada do Araripe

O uso das plantas da Caatinga pelas pessoas e os potenciais da preservação do bioma foram alguns dos destaques do encontro, que reuniu organizações do Ceará e de Pernambuco

 

O Cepan (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste) celebrou pela primeira vez na sua sede na cidade do Crato (CE), na Chapada do Araripe, o Dia Nacional da Caatinga. O encontro abordou as potencialidades do bioma em temas como a utilização das plantas nativas pela população, suas aplicações culturais e medicinais, além do papel dessa vegetação na preservação do meio ambiente. A atividade contou com a participação de representantes de diferentes áreas, incluindo academia, comunidades locais, poder público e organizações não governamentais de Pernambuco e do Ceará.

 

O evento também teve como um dos seus objetivos centrais a conscientização sobre a importância da conservação ambiental e do engajamento das populações da região nesse processo. “A Caatinga é um território estratégico para o Cepan. Estamos empenhados em restaurar pelo menos 500 hectares na Chapada do Araripe nos próximos dois anos, além de trabalhar na recuperação de nascentes, aquecimento da cadeia produtiva de sementes e mudas, e na formação de recursos humanos na região”, destaca o coordenador técnico do Cepan, Pedro Sena.

 

O encontro para celebrar a Caatinga contou com quatro exposições, com diferentes olhares sobre o bioma. Representando a Cepan, Pedro Sena tratou sobre as plantas utilizadas pelos povos tradicionais e comunidades locais. Ele destaca que a restauração ecológica deve, sempre que possível, priorizar as plantas úteis para as comunidades do seu entorno ou que sejam culturalmente importantes para essas populações.

 

 

Integraram essa mesa, o Mestre Galdino, que é reconhecido na região pelo seu conhecimento sobre as plantas locais, e Verônica do Terreiro das Pretas, que trouxe ao debate uma visão importante sobre o uso das plantas na cultura quilombola. Completando as explanações sobre o bioma, Vanda Cariri, liderança da Associação Indígena Cariri, trouxe uma perspectiva ampla sobre a utilização das plantas tanto para fins medicinais como também seu papel em rituais, cultura e nos aspectos socioemocionais do seu povo indígena da Chapada do Araripe.

 

Com um público composto por 20 participantes de mais de 10 organizações, além das palestras, o evento abriu espaço para uma roda de diálogo para troca de experiências. Os representantes dessas instituições ou grupos locais compartilharam seus saberes e práticas com o bioma. Mais que um encontro focado em conteúdo, o Dia da Caatinga reforçou o compromisso do Cepan na articulação dos parceiros para a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável da região.

 

Importância ambiental da Chapada do Araripe

 

A analista de projetos do Cepan Adrielle Leal, que atua na base do Crato (CE), organizou o evento e considera a região estratégica para ações de restauração ambiental do bioma. “A Chapada do Araripe oferece diversas oportunidades para iniciativas de conservação e restauração ecológica. Um dos principais pontos para se destacar é realmente a grande biodiversidade que existe no território. A região abriga uma grande variedade de espécies, de fauna e de flora, que incluem também espécies endêmicas, ou seja, espécies que só acontecem aqui no território, mas também espécies que estão ameaçadas de extinção e que podem sumir por causa da degradação ambiental”, afirma.

 

A analista destaca ainda a importância de outra função desse território para a região. “A Chapada do Araripe tem uma importância hídrica muito forte. O território tem esse papel fundamental na regulação dos recursos hídricos, que ajuda na manutenção dos lençóis freáticos e para o abastecimento de água. Então, conservar e restaurar essas matas nativas ajudam também a garantir a qualidade e a quantidade desse recurso para abastecer toda uma região.”

 

Mobilização de 2024 para restauração do bioma

 

A região, que é um dos principais alvos da atuação do Cepan atualmente, abrange 33 municípios. O Centro já atuou na restauração de mais de 100 hectares em projetos anteriores e agora tem no horizonte restaurar mais de 500 hectares da Caatinga nos próximos dois anos. O momento atual é de identificação dos proprietários de unidades rurais interessados em receber os serviços para a recuperação do bioma.

 

“Estamos na fase de mobilização das áreas para que as pessoas cedam as terras para a gente restaurar. Todo esse processo acontece em áreas privadas e voluntárias, com proprietários que, por exemplo, precisam readequar suas Reservas Legais ou Áreas de Proteção Permanente. Eles podem entrar em contato conosco para receber toda a assistência técnica e a garantia da execução da operação”, afirma Pedro Sena. Ainda em 2024, o Cepan tem a expectativa de iniciar a atividade em cerca de 200 hectares.

 

Os interessados em participar do projeto podem fazer um cadastro NESTE LINK.

 

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