Dia da Árvore (21/09): Áreas reflorestadas em Aracruz-ES estão mais verdes com plantios do Cepan

Postado em 21/09/2021

Atividades de semeadura direta com muvuca de sementes devem gerar 96 mil novas árvores, que já começam a aparecer em imagens de satélite 

Anunciando a chegada da primavera no hemisfério sul, o Dia da Árvore, celebrado neste 21 de setembro, lembra a importância que as vegetações nativas têm para o equilíbrio dos ecossistemas. A Aldeia Nova Esperança, no município de Aracruz-ES, é uma das áreas restauradas pelo Centro de Pesquisa Ambientais do Nordeste (Cepan) que simboliza a esperança por um Brasil mais verde. De acordo com imagens de satélite divulgadas em agosto, 8,3 hectares trabalhados já apresentam os primeiros sinais de cobertura vegetal.

As áreas passaram por restauração florestal via semeadura direta, no qual foram utilizadas sementes de 39 espécies nativas de Mata Atlântica, além de outras três de adubação verde. Simulando o processo de sucessão ecológica natural das florestas, as ações de restauração ocorreram próximas a áreas de floresta já existentes, visando a expansão dos espaços verdes a fim de melhor conservar a biodiversidade local. A expectativa é que floresçam na área cerca de 96 mil novas árvores.

 

Imagens de satélite apontam sucesso nos plantios, que começam a aparecer mais verdes

(Imagens: Google Earth)

 

“A perspectiva é que, em uma média de 8 a 10 anos, nós tenhamos uma pequena floresta ali iniciando seu processo de transição para uma floresta secundária, já conseguindo prover habitats para espécies de fauna e flora e estabelecer os serviços ambientais, principalmente os hidrológicos”, comenta Joaquim Freitas, coordenador geral do Cepan. Os trabalhos ocorrem em parceria com aldeias indígenas da localidade, as quais serão diretamente beneficiadas com as atividades.

“Muitas das áreas restauradas também incluem cabeceiras de nascentes, de onde os indígenas retiram parte da água que consomem”, ressalta Joaquim. Ao todo, 62 indígenas vêm atuando com a escolha de áreas para plantio e coleta de sementes florestais, que subsidiaram os primeiros plantios em Aracruz, iniciados em julho de 2020. Até o momento, os esforços resultaram em um total de 24 hectares reflorestados, que devem se expandir ainda em 2021. A meta do projeto é restaurar mais 50 hectares, totalizando 74 hectares recuperados até fevereiro de 2022.

“O monitoramento das primeiras áreas trabalhadas já se inicia agora em outubro, com o acompanhamento do desenvolvimento dos plantios realizados. Além disso, começaremos a planejar, junto às lideranças indígenas, os próximos esquemas de plantio para essas novas áreas, que também se dará via semeadura direta. A coleta de sementes já está bem avançada e estamos começando a receber as primeiras espécies”, detalha Joaquim.

 

Em 8 a 10 anos, áreas restauradas devem começar a compor uma pequena floresta

 

DIA MUNDIAL DA FAUNA –  A restauração da Mata Atlântica em Aracruz é estratégica para recuperar a biodiversidade local. A geração de novas árvores ajuda a melhorar a qualidade do ar, regula serviços ambientais – hídrico, energético e alimentar – e o regime de chuvas na região. Outro benefício é a criação de novos habitats para a fauna local, que é lembrada também nesta semana por ocasião do Dia Mundial da Fauna (22/09). 

Na localidade, há presença de rica fauna – espécies como macacos-prego e saguis, aves como tucanos e a coruja-buraqueira, além do tatu e do tamanduá, tipos terrestres que estão ameaçados de extinção. De clima tropical, com vários manguezais e áreas de recarga de aquíferos, o município abriga também espécies aquáticas, como peixes e caranguejos variados. A criação de novas florestas impacta positivamente a conservação e procriação dessas espécies, favorecendo o equilíbrio do ecossistema.

“Aracruz reúne características que nos possibilita atuar em diversos elos da cadeia do restauro. Reconhecemos a importância fundamental dos povos originários nesse processo, e por isso esse é nosso primeiro projeto. E trabalhar com o Cepan reúne certamente condições para uma parceria de qualidade – técnica, transparência, valores compartilhados e muita mão na massa”, avalia Carol Muzzi, da Cariuma, uma das instituições apoiadoras do projeto de restauração florestal em Aracruz.


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