Iniciativa ofereceu treinamento para a produção e manejo de mudas nativas da Caatinga, promovendo o desenvolvimento de habilidades técnicas na região
O Cepan (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste) realizou um curso para capacitar moradores rurais da Chapada do Araripe sobre a produção e o manejo de mudas nativas da Caatinga. A formação, que aconteceu no Crato (CE), faz parte das ações do projeto Rede de Conservação e Restauração da Chapada do Araripe, que possui o apoio do Fundo Socioambiental da Caixa, e busca restaurar áreas degradadas e assim fortalecer a conservação do bioma. Esse foi o terceiro curso oferecido pelo projeto, que prevê mais três capacitações até 2026.
A analista de projetos do Cepan, Adrielle Leal, destacou a importância do curso para o desenvolvimento de capacidade técnica da comunidade local, gerando novas oportunidades de geração de renda por meio da produção de mudas de espécies nativas, essenciais para ações de restauração florestal. Segundo ela, o conhecimento técnico é fundamental para garantir a qualidade dos insumos utilizados na recuperação das áreas, além de impulsionar a renda local através da produção de mudas. “O curso não só contribui para a capacitação técnica, mas também oferece uma nova oportunidade econômica para os participantes”, explicou.
Os cursos promovidos pelo Cepan buscam incentivar a formação de uma rede de coletores de sementes e produtores de mudas na Chapada do Araripe. O objetivo é estimular pessoas com potencial para se tornarem fornecedores de insumos de qualidade, contribuindo para futuras ações de restauração florestal no âmbito do projeto.
A capacitação incluiu aulas teóricas e práticas, nas quais os participantes receberam orientações detalhadas sobre quebra de dormência, tipos de substratos, técnicas de semeadura, transplante de mudas, irrigação e rustificação, além de informações sobre a legislação e aspectos econômicos envolvidos na produção de mudas.

Ao todo, 40 pessoas participaram da capacitação teórica do curso, que aconteceu de forma online, e 25 delas concluíram a etapa prática, de forma presencial no Crato. Do grupo, 70% era formado por mulheres da região. A formação beneficiou atores dos municípios do Crato, Araripe, Santana do Cariri, Barbalha, Juazeiro do Norte, Nova Olinda, no Ceará, além de Exu e Ouricuri, em Pernambuco.
“O principal público-alvo das nossas capacitações são pessoas do território que demonstram interesse e potencial para integrar a cadeia produtiva da restauração. Elas atuarão como fornecedores de insumos essenciais, como mudas, sementes, adubo e mão de obra. Então, desde o início do projeto, estamos identificando quem, no território, pode se tornar viveirista e coletor de sementes”, destacou Adrielle Leal.
Na fase prática, os participantes do curso visitaram dois viveiros do território, com perfis diferentes. “Visitamos um viveiro público, o Viveiro Municipal do Crato, e um viveiro particular da ONG Aquasis, apresentando, assim, diferentes experiências de viveirismo”, conta Adrielle.
O projeto é apoiado pelo Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal e tem como meta restaurar 500 hectares de Caatinga. A área de abrangência inclui 33 municípios distribuídos entre os estados do Piauí, Pernambuco e Ceará.




