Conselho Gestor valida ações iniciais do Cepan para recuperação de áreas degradadas no Araripe

Postado em 27/08/2020

Oficina online apresentou primeiras atividades e colheu sugestões para definir as próximas etapas do planejamento para recuperação de áreas degradadas e estruturação da cadeia produtiva da restauração na localidade

Conselheiros e gestores da Área de Proteção Ambiental (APA) Chapada do Araripe e da Floresta Nacional (FLONA) do Araripe-Apodi apreciaram, no último 18 de agosto, o andamento dos projetos executados pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) nas referidas Unidades de Conservação (UCs). Em oficina virtual, foram divulgados e validados os resultados preliminares das atividades implementadas até o momento. Os presentes ainda debateram contribuições para o aprimoramento e avanço na elaboração de Planos para Recuperação de Áreas Degradadas (PRADs) e Estruturação de uma Cadeia Produtiva da Restauração Florestal na região. 

A análise feita pelo Cepan mostrou que, dos 972.605,18 hectares que compõem o território da APA Chapada do Araripe, 28.253,5 (2,9% do total) encontram-se degradados. Através da base de dados do projeto MapBiomas, foram mapeados e caracterizados significativos usos de solo na localidade – formação savânica (42,7%), pastagem (27,8%), formação florestal (20,6%), cultura anual perene (6,2%), mosaico de agricultura e pastagem (2,1%), além de outros tipos menos frequentes. Os estudos também apontaram informações relevantes sobre o meio abiótico (clima, relevo, solos e hidrologia da região).

Na oficina, os participantes conheceram os dados obtidos e os critérios para escolha das áreas prioritárias para recuperação – aquelas próximas a fragmentos florestais, que contenham espécies ameaçadas e/ou que não estejam susceptíveis à ocorrência de fogo, entre outros fatores. O levantamento vai definir orientações técnicas para a seleção de 100 hectares a serem recuperados por meio de metodologias adequadas às zonas escolhidas, que abrangem territórios dos estados de Pernambuco, Piauí e Ceará e variadas características.

No tocante à estruturação da cadeia produtiva na localidade, atividade que vem sendo conduzida junto aos parceiros locais, neste primeiro momento, foram identificados 278 atores sociais, entre pessoas e instituições com potencial para atuar direta ou indiretamente pela recuperação no Araripe. Cerca de 60 delas estão ligadas à cadeia de restauração, enquanto pelo menos 38 já atuam com produção de sementes e mudas. O Cepan agora convoca os atores a responderem um formulário online, que segue aberto para coletar detalhes sobre infraestrutura e produção de possíveis parceiros.

As informações foram validadas por conselheiros, gestores e instituições diversas, incluindo um representante da GEF Terrestre/FUNBIO, instituição apoiadora do projeto. Os participantes também ofereceram contribuições técnicas, como a previsão de predação vegetal nas áreas trabalhadas e o uso mais extensivo de semeadura direta e regeneração natural. Também foi sugerido incorporar o uso de bombas de sementes; levantar informações sobre propriedades privadas passíveis de recuperação; e analisar áreas de mineração, de cavernas e de atividades de comunidades extrativistas na Chapada do Araripe. 

Emanuelle Souza, analista de projetos do Cepan, classifica que as colaborações foram edificantes e se somarão aos dados obtidos para nortear a elaboração dos PRADs e formar uma cadeia produtiva forte e atuante. “Esse acompanhamento é fundamental para avançar. As contribuições desses componentes permitirão que o projeto se desenvolva de acordo com o esperado, atendendo as necessidades do contexto em que as UCs estão inseridas”, assinala. O levantamento do Cepan também ficará disponível na íntegra para o Núcleo de Gestão Integrada das UCs do Araripe como ferramenta para respaldar futuras tomadas de decisão.

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