Cepan reúne lideranças da Comunidade Quilombola de Degredo e apresenta a Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce

Postado em 08/02/2020
Foto: Fundação Renova

Diversidade e saber popular são grandes trunfos a favor do processo de restauração florestal. De olho nesse potencial, o Cepan mobilizou representantes da comunidade quilombola de Degredo, no município de Linhares, Espírito Santo, em uma reunião, realizada na tarde do último dia 6 de fevereiro, na sede da própria comunidade, na qual foi apresentada a iniciativa da Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, uma articulação que está em fase de estruturação e já conta com mais de 50 pessoas, cujo propósito é fortalecer a cadeia produtiva de restauração florestal. Na ocasião, as lideranças também foram orientadas sobre o passo a passo para participar da articulação.

O Projeto Rede de Sementes e Mudas na Bacia do Rio Doce nasceu com o propósito de aumentar a disponibilidade dos principais insumos para a restauração florestal de áreas degradadas na bacia do rio Doce, cuja meta estimada pela Fundação Renova, correalizadora do Projeto é de 40 mil hectares. A Comunidade de Degredo está inserida nesta demanda de restauração. Por essa razão, o Coordenador de Projetos do Cepan, Joaquim Freitas, considera importante a comunidade integrar a rede. “Por se tratar de uma comunidade quilombola, o grupo possui uma relação diferenciada com as espécies da Bacia do Rio Doce. Fazer parte da Rede de Sementes e Mudas vai potencializar esta relação com a fauna e flora da região, combinando conhecimento popular e formação técnica, criando perspectivas de geração de renda para a comunidade, que será remunerada pela coleta e pelo beneficiamento das sementes,” explica.

Ao longo da reunião, a equipe técnica do Cepan pontuou junto aos 14 integrantes da comunidade questões importantes tais como o que é o Projeto Rede de Sementes e Mudas na Bacia do Rio Doce, detalhes sobre a constituição e governança da Rede, bem como os critérios de participação e os benefícios e compromissos que devem ser assumidos por quem fizer a adesão. Com boas expectativas, a comunidade decidiu se inscrever coletivamente. Para tanto, reuniu as fichas de inscrição e deve realizar um levantamento das pessoas aptas a participarem das coletas, das espécies de árvores existentes na comunidade e da rotina de atividades realizadas pelos membros.

O projeto Rede de Sementes e Mudas na Bacia do Rio Doce é uma parceria com a Fundação Renova e conta com a colaboração da Rede de Sementes do Xingu (ARSX) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Em curto prazo, a ação já mostra resultados palpáveis. Por exemplo, a renda total produzida com a aquisição dessas primeiras 5,5 toneladas de sementes somou cerca de R$ 250 mil, parte deste valor corresponde ao repasse feito às famílias envolvidas com a coleta e o beneficiamento de parte deste montante de sementes. De acordo com Freitas, esses resultados apontam alternativas para fortalecer a Comunidade de Degredo. “Os membros da comunidade relataram que possuem espécies medicinais. Isso é um potencial que pode favorecer a rede, que é atrativo ao mercado sustentável. Por essa razão, acredito que esse projeto pode trazer um incremento de renda para a comunidade, além de resgatar uma relação sustentável com o meio ambiente que a cerca”, esclarece.

Animado com os primeiros passos dados, Freitas, aponta objetivos futuros, que envolvem impactos positivos junto aos produtores, às comunidades envolvidas, aos mercados de sementes e de reflorestamento e à sociedade geral. “Nosso propósito é consolidar a metodologia de restauração florestal de semeadura direta e constituir no mínimo seis grupos de coleta aptos a disponibilizarem insumos para restauração e com autonomia para acessarem novos mercados,” conclui.

Em tempo: Cepan se reúne com Conselho Consultivo da Fundação Renova

Em outro momento importante para a trajetória do Projeto Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, o Cepan apresentou os resultados iniciais e as perspectivas futuras da ação ao Conselho Consultivo da Fundação Renova, na última sexta-feira, 7 de fevereiro, às 14h, em Linhares, Espírito Santo. Formado por representantes dos atingidos pelo rompimento da barragem do Fundão, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, de Organizações Não Governamentais, entidades e órgãos acadêmicos, o Conselho Consultivo da Fundação Renova é uma instância importante no acompanhamento das ações planejadas e em execução, voltadas para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem do Fundão. Após as reuniões periódicas, o Conselho Consultivo sinaliza recomendações e manifestações para a Fundação Renova, instâncias de Governança e outros órgãos envolvidos com o processo de reparação da área devastada.

Ao longo da reunião, os membros do Conselho foram apresentados aos primeiros resultados do projeto, frutos desses primeiros sete meses de execução. Com base nessas informações, realizaram debates e apresentaram sugestões para aprimorar a ação com foco em tornar o processo de reparação da Bacia do Rio Doce no âmbito do projeto ainda mais eficiente.

Para inscrever-se na Rede de Sementes e Mudas da Bacia do Rio Doce, acesse o Edital de Convocação em cepan.org.br ou no site da Fundação Renova.

Créditos da imagem: Fundação Renova.


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