Cepan inicia projetos de restauração florestal na região da Chapada do Araripe

Postado em 06/04/2020

As iniciativas preveem a reparação de 100 hectares de Caatinga, fomento à cadeia produtiva de restauração, melhoria na segurança hídrica local, preservação de espécies raras, implantação de Sistemas Agroflorestais e de manejo agroecológico, e o incentivo à criação de uma brigada para combater incêndios

 

A Caatinga é um bioma rico e unicamente brasileiro. Ao mesmo tempo, esse ambiente possui vulnerabilidade social e é suscetível ao processo de desertificação, sendo uma das áreas mais impactadas ao redor do mundo pelos efeitos deletérios das mudanças climáticas segundo o IPCC, por isso, as ações de restauração e conservação são urgentes. Visando contribuir com as ações de restauração florestal no bioma, o Cepan irá iniciar a elaboração e execução de um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) na região da Chapada do Araripe. O PRAD é o primeiro passo para a realização de ações de restauração florestal, que terão como prioridade 100 hectares de áreas degradadas. Cinquenta hectares serão localizados no entorno da Floresta Nacional do Araripe – Apodi, Unidade de Conservação que fica entre os municípios do Crato, Barbalha, Santana do Cariri, Missão Velha e Jardim, na região da Chapada do Araripe. É a mais antiga Floresta Nacional do Brasil, criada em 1945. Os 50 hectares restantes envolvem outros pontos da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe, onde a Floresta Nacional está inserida. No total, a APA Chapada do Araripe possui 972.605,18 hectares, distribuídos entre os estados de Pernambuco, Piauí e Ceará.

O PRAD é um instrumento que vai nortear as ações de recuperação. Nele, constarão análises das características da região, orientações sobre as áreas, bem como indicações sobre a forma correta de restaurar priorizando metodologias de baixo custo.  O estudo marca o início dos projetos “Plano de Recuperação de Áreas Degradadas e Estruturação da Cadeia Produtiva da Restauração Florestal no Entorno da Floresta Nacional do Araripe-Apodi” e “Plano de Recuperação de Áreas Degradadas e Estruturação da Cadeia Produtiva da Restauração Florestal na Área de Proteção Ambiental (APA) Chapada do Araripe”, que contam com a parceria do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), por meio do Projeto GEF Terrestre.

O desafio de preservar o capital natural e, ao mesmo tempo, gerar co-benefícios socioambientais e socioeconômicos foi a motivação necessária para a criação das propostas, como explica a analista de projetos do Cepan, Emanuelle Souza. “Nossa intenção é conseguir, por meio da execução do PRAD, movimentar uma cadeia produtiva de restauração, ligando e potencializando os seus elos, e gerando oportunidades de renda para as famílias envolvidas”. Com esse intuito, o Cepan irá identificar os atores envolvidos com os processos de restauração, coletores de sementes e produtores de mudas. Como etapa seguinte, serão promovidas capacitações técnicas focadas em temáticas da área. A ação vai priorizar a aquisição de insumos da cadeia produtiva local. As queimadas e incêndios, comuns na região, também serão alvos do projeto. “Será realizado um treinamento com o objetivo de estimular a formação de uma Brigada de Incêndio Voluntária voltada para o combate aos constantes focos de incêndio na região, ” completa.

Trabalhar com restauração florestal na região da Chapada do Araripe é bem estratégico. O local pode ser considerado um oásis devido ao seu rico potencial hídrico, cheio de nascentes e às espécies raras que podem ser encontradas, a exemplo do Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), uma espécie Bandeira, endêmica, ou seja, que só existe na região, e globalmente ameaçada, cuja ocorrência está restrita a uma pequena área da Chapada do Araripe; e a Araponga-de-barbela ou Araponga-do-nordeste (Procnias averano), espécie que não é endêmica, mas que se encontra ameaçada.  “As ações de restauração são importantes tanto para recuperar a fauna, quanto a flora. Com isso, o projeto vai contribuir com a restauração de áreas importantes para a manutenção dessas espécies ameaçadas ”, pontua. Dentro da área total a ser restaurada, 15 hectares serão destinados à implementação de Sistemas Agroflorestais e manejo agroecológico. Neste tipo de sistema, a cultura agronômica é consorciada com a floresta, associando produção com conservação da biodiversidade.

Além dos aspectos ambientais, sociais e econômicos, os projetos, que têm duração de três anos, pretendem, por meio de parcerias, fortalecer a rede de restauração e conservação que já atua na região do Araripe, contando com organizações como a Aquasis que realiza, há mais de dez anos, o Projeto Soldadinho do Araripe, uma iniciativa voltada à preservação desta espécie de ave considerada criticamente ameaçada. Com uma publicação de lições aprendidas, contendo a sistematização dos resultados dos projetos, o Cepan irá contribuir para que a experiência seja replicada em projetos futuros, ampliando iniciativas de restauração florestal.

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Conheça mais sobre o Funbio e o projeto GEF Terrestre

O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que iniciou suas atividades em 1996, é um mecanismo financeiro nacional privado, sem finalidade lucrativa, que estabelece parcerias com os setores governamental e privado e a sociedade civil, afim de incentivar a destinação de recursos estratégicos e financeiros em iniciativas efetivas de conservação da biodiversidade. Ao longo de 24 anos de atuação, o Funbio já apoiou 284 projetos que beneficiaram 234 instituições em todo país.

Já o projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal – GEF Terrestre, é uma iniciativa do Governo Federal voltada para a conservação da biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal. O projeto, que está alinhado com os princípios da Convenção de Diversidade Biológica (CDB) e da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC), se desenvolve por meio de três estratégias: consolidação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), incluindo a criação de novas Unidades de Conservação (UCs) e apoio às já existentes;  recuperação da vegetação nativa; e   planos de ação nacionais para espécies ameaçadas.

Informações sobre os dois projetos desenvolvidos pelo Cepan na região podem ser acessados em:

PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS E ESTRUTURAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA DA RESTAURAÇÃO FLORESTAL NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL CHAPADA DO ARARIPE

PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS E ESTRUTURAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA DA RESTAURAÇÃO FLORESTAL NO ENTORNO DA FLORESTA NACIONAL (FLONA) DO ARARIPE-APODI

Foto destaque: Google Earth

Foto do texto: CEPAN


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