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Cepan finaliza iniciativa para criação de Unidades de Conservação privadas no semiárido e reforça a agenda de conservação em Pernambuco

CEPAN mobilizou proprietários rurais e resultou na submissão de cinco novas RPPNs para reconhecimento, protegendo mais de 200 hectares de Caatinga.

 

 

O projeto “Conservando o Pajeú – Criando RPPNs no semiárido Pernambucano”, que atuou para a formação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) na Caatinga foi concluído recentemente, marcando uma fase significativa para a conservação da biodiversidade na região. Financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), como parte do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), a iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), tendo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como agência executora, em parceria com o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN) e o Instituto Florestar. O projeto conseguiu mobilizar diversos proprietários de terras para a criação de áreas protegidas em propriedades privadas. A iniciativa, que teve início em janeiro de 2022, focou na conservação de ecossistemas únicos, enfrentando desafios que incluíram a sensibilização dos proprietários e a formalização das áreas junto ao órgão gestor e fiscalizador no estado, a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco ( CPRH).

 

O projeto concentrou-se no semiárido pernambucano, uma área que engloba ecossistemas de extrema importância ambiental, mas em forte ameaça pela devastação humana e pelas mudanças climáticas. Como resultado da mobilização, foram submetidas cinco áreas para reconhecimento como RPPNs, somando mais de 160 hectares. Embora os processos ainda aguardem a publicação oficial da CPRH, essas áreas já representam um avanço significativo para a conservação no estado. “Conseguimos mobilizar tanto grandes quanto pequenos proprietários, que reconhecem a importância da preservação ambiental, muitas vezes já enraizada por educação ou herança familiar”, afirma Pedro Sena, coordenador técnico do Cepan.

 

 

“Foi possível abrir os olhos do poder público municipal para a importância da agenda ambiental, diante do quadro de mudanças climáticas que estamos enfrentando. Isso também reforça a consolidação de outros projetos e ações nesses territórios. Além disso, a população se mostrou muito interessada e disposta a contribuir para a conservação da Caatinga”, afirma a geógrafa Larissa Menezes.

 

O projeto submeteu com sucesso protocolos para o reconhecimento de RPPNs situadas em Serra Talhada, Floresta, São José do Belmonte e Afogados da Ingazeira. Essas áreas possuem alta importância biológica, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. Em Serra Talhada, as RPPNs Fazenda Santo Antônio da Serra e Fazenda Jatobá estão próximas ao Parque Estadual Mata da Pimenteira, enquanto a RPPN Educadora Socorro Leal, em Floresta, está localizada perto da Reserva Biológica de Serra Negra e da Estação Ecológica Serra da Canoa. A RPPN Vale dos Ipês, em São José do Belmonte, é a primeira do município e está situada em uma região com serras conservadas, enquanto a RPPN Sítio Brejo, em Afogados da Ingazeira, preserva grafismos rupestres e espécies ameaçadas. Cada área abriga ao menos uma espécie de fauna ameaçada de extinção.

 

 

A rica fauna é um os destaques das áreas preservadas

 

Essas RPPNs estão localizadas em áreas historicamente utilizadas para agricultura de subsistência e pecuária, atividades que contribuíram para a degradação do bioma Caatinga, com desmatamento, sobrepastoreio e agricultura inadequada, agravando o processo de desertificação e perda de solo fértil. A criação dessas reservas é um passo importante para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais, combatendo a degradação e garantindo a preservação de espécies endêmicas e ameaçadas, além de contribuir para a manutenção dos serviços ecossistêmicos vitais da região.

 

Um dos principais desafios enfrentados durante o projeto foi garantir a adesão de proprietários a um modelo de conservação perpétua, onde a área protegida permanece sob proteção mesmo em caso de venda ou transferência de posse, reforçando o conhecimento de todos os envolvidos nesses aspectos. Além disso, a variedade de perfis entre os participantes, desde pequenos agricultores até grandes proprietários rurais, demandou abordagens personalizadas para cada contexto. Para apoiar essa transição, o CEPAN ofereceu cursos de capacitação e suporte técnico.

 

Joaquim Freitas, coordenador geral do Cepan, ressalta que o projeto reforça o posicionamento do CEPAN como um ator relevante na agenda de conservação da biodiversidade, especialmente no contexto da Caatinga. “Esse projeto nos aproximou ainda mais da agenda de conservação na Caatinga e abriu portas para futuras iniciativas, como a criação de 9 mil hectares de áreas protegidas em Pernambuco. Foi estratégico para mostrar que, além de estudos ambientais, podemos atuar na criação efetiva dessas áreas”, comenta o coordenador geral.

 

 

As ações de mobilização social do projeto foram fundamentais para estabelecer uma rede sólida de colaboração entre diversas instituições e indivíduos com experiências variadas na conservação ambiental. A equipe conseguiu reunir organizações e coletivos da sociedade civil, como a Diaconia, o Instituto Florestar e o Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Pajeú, além de entidades locais, como a Fundação Ambiental Pedro Daniel, a Associação de Apicultores e Agricultores de Serra Talhada e a Associação de Desenvolvimento Rural e Sustentável de Santa Cruz da Baixa Verde. Além disso, o projeto envolveu o poder público, com a participação ativa de secretarias municipais de Meio Ambiente de Serra Talhada, Floresta e Triunfo, e da Secretaria de Agricultura de Afogados da Ingazeira, além de uma vereadora do município de Solidão. Esses atores desempenharam um papel estratégico na mobilização da população para as oficinas e na capacitação, uma vez que estão percolados no território e podem indicar propriedades e proprietário para fazer parte da iniciativa, muitas vezes contribuindo com oportunidades de gestão e até mesmo estudos ambientais

 

O impacto do projeto vai além dos números. A iniciativa ajudou a fortalecer a consciência ambiental entre os proprietários rurais e a comunidade local, reforçando a importância de proteger o patrimônio natural de Pernambuco. Com a conclusão desse ciclo, o CEPAN se prepara para novas iniciativas, utilizando o aprendizado obtido para expandir a rede de áreas protegidas e contribuir ainda mais para a preservação da biodiversidade no estado.

 

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