O projeto almeja capacitar 25 mulheres atuantes da zona rural
O Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) iniciou, em setembro deste ano, as atividades do projeto Rede de Sementes e Mulheres da Mata Pernambucana. A iniciativa tem o objetivo de promover a articulação e estruturação de um grupo de mulheres produtoras, coletoras e guardiãs de sementes no âmbito do programa de reflorestamento de Pernambuco, com foco na mesorregião da Mata Pernambucana. Este projeto é desenvolvido pelo Cepan com apoio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas) por meio do Fundo de Meio Ambiente de Pernambuco (Fema), e em parceria com a Comissão Permanente de Mulheres Rurais de Pernambuco (CPMR/PE).
A primeira atividade foi uma oficina online de apresentação das atividades que serão efetivadas ao longo do projeto. Participaram do evento, no dia 21 de setembro deste ano, 13 mulheres atuantes em áreas rurais, dos municípios de Barreiros, Catende, Chã Grande, Lagoa de Itaenga e Rio Formoso. As ações que serão realizadas pelo Cepan – ao longo dos 12 meses de duração do projeto – incluem cursos de formação técnica sobre manejo, gestão, uso e comercialização de sementes nativas para garantir biodiversidade das florestas e dos agroecossistemas. Para estruturação e profissionalização dos grupos de coletoras, além das capacitações, as beneficiárias ganharão kits de insumos e equipamentos necessários para o manejo das sementes nativas florestais.
É importante registrar que todas as participantes foram selecionadas e previamente articuladas pela Comissão Permanente de Mulheres Rurais de Pernambuco (CPMR/PE), considerando alguns critérios de seleção, entre eles: mulheres envolvidas com bancos/casas de sementes comunitários em funcionamento; mulheres que residam e desenvolvam seus trabalhos em Áreas de Proteção Permanentes (APPs), Unidades de Conservação (UC), ou em suas proximidades; em territórios indígenas e quilombolas, reconhecidos culturalmente; mulheres que possuam experiência com agroflorestas; mulheres que desenvolvam alguma experiência comercial relacionada às sementes nativas; mulheres que tenham relação com alguma rede de sementes.
A analista de projetos do Cepan, Sofia Zagallo, destaca a importância da formação de uma rede de sementes para a cadeia produtiva da restauração em Pernambuco: “Um projeto como este tem sua relevância reiterada pelo papel de conectar temáticas-chave para o ganho de escala da restauração florestal. A disponibilização de insumos para a restauração é um dos gargalos identificados no estado de Pernambuco, portanto é importante reforçar a cadeia produtiva da restauração no estado. A coleta de sementes aparece no cenário nacional hoje como uma alternativa promissora de inclusão social, complementação de renda e sobretudo, de ampliação da capacidade de representação de diversos grupos nas ações de restauração florestal”. Além disso, Zagallo reforça os benefícios socioeconômicos e ambientais: “Por meio das ações desse projeto, pode ser colocada em prática a inclusão de pessoas e grupos que historicamente tem sua representação pouco documentada nos planejamentos e práticas da restauração florestal, como é o caso das mulheres localizadas em áreas rurais e em territórios tradicionais”.
Nos próximos dias 29 e 30 de novembro, o Cepan realizará o primeiro encontro presencial de formação técnica com as mulheres participantes do projeto. O objetivo, desta vez, é abordar temas como a identificação e caracterização das sementes utilizadas nos territórios alvos, assim como, tratar informações importantes sobre sementes nativas florestais e de produção de alimentos.




