Estudos técnicos realizados entre novembro de 2024 e março de 2025 avaliam fauna, flora, meio físico, cartografia, além de aspectos socioeconômicos das comunidades locais para embasar a criação de áreas protegidas
Nos últimos quatro meses, uma equipe multidisciplinar do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) percorreu a Caatinga pernambucana com um propósito: mapear áreas para a criação de cinco novas Unidades de Conservação (UCs). Para isso, adentrou no bioma visando estudar a fauna, a flora, as condições do meio físico e a relação das comunidades locais com essas áreas. A ação está prevista no projeto “Criando Unidades de Conservação no Semiárido Pernambucano”, que está realizando estudos em cerca de 9 mil hectares de áreas prospectadas para proteção!
Por que criar Unidades de Conservação na Caatinga pernambucana?
- Conservação da biodiversidade, protegendo espécies únicas do bioma;
- Manutenção dos serviços ecossistêmicos, como a regulação do clima e a retenção de água;
- Desenvolvimento sustentável local, impulsionando o turismo ecológico e a geração de renda;
- Auxílio no combate às mudanças climáticas, com a redução do desmatamento e contenção das frentes de desertificação;
- Captação de recursos via ICMS Ecológico para o poder público, fortalecendo a economia local e possibilitando investimentos na região.
“Muitas vezes, esse bioma é visto como pouco biodiverso, mas essa ideia, apesar de estar no senso comum, não condiz com a realidade. A Caatinga é um bioma extremamente rico, com uma grande diversidade de espécies, incluindo algumas que só existem neste ambiente”, esclarece a analista de Projetos do Cepan, Sofia Zagallo.”
Os estudos técnicos pretendem justamente isso: coletar dados para demonstrar a importância ambiental da proteção dessas áreas, identificando sua relevância biológica, a presença de atrativos turísticos, recursos hídricos e elementos de valor cultural, como pinturas rupestres.

Além de abrigar uma biodiversidade única, a Caatinga é essencial para a manutenção dos recursos hídricos, o combate à desertificação e o equilíbrio do clima local. Mas sua importância vai além do meio ambiente. “A população que mora no Sertão pernambucano depende dos recursos naturais da Caatinga para seu sustento e suas formas de subsistência, aumentando a importância de protegê-la”, defende Sofia Zagallo, analista de projetos do Cepan.
Participação social é pilar essencial na criação de Unidades de Conservação
Mais do que um mapeamento técnico, a criação das Unidades de Conservação deve ser um processo construído com quem vive na Caatinga. Por isso, o Cepan irá promover oficinas participativas para apresentar os resultados dos estudos técnicos, assim como possibilitar o diálogo com os moradores das áreas em estudo, garantindo que a criação das UCs traga benefícios ambientais sem gerar impactos negativos para a população.
“Estamos construindo esse processo com as comunidades locais. A ideia é que a conservação dessas áreas conte com o apoio dos moradores da área e do entorno, para que se vejam como parte desse processo e possam se beneficiar dela”, diz Sofia.

O projeto pretende criar seis novas Unidades de Conservação (UCs), a partir de financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como agência executora.
A ação está sendo executada pelo Cepan, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, e de Fernando de Noronha (Semas/PE) e a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).
Sobre o Cepan:
O Cepan tem uma trajetória sólida na área de conservação, liderando a criação de Unidades de Conservação (UCs), elaborando planos de manejo e participando ativamente de conselhos gestores de UCs. Com essa experiência consolidada, a instituição possui expertise para conduzir diagnósticos técnicos, garantindo embasamento técnico-científico na criação dessas áreas. Além disso, valoriza o envolvimento de atores sociais relevantes, fortalecendo a participação comunitária em cada etapa do processo.
Para acompanhar as ações de conservação do Cepan na Caatinga Pernambucana, segue a gente nas redes sociais!




