Experiências em Restauração

  • I Curso Prático para Viveiristas Florestais do Corredor Nordeste de Biodiversidade realizado pelo Cepan em parceria com a Destilaria Miriri/PB - Abril/2011.
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Conversando sobre Restauração Ecológica

Mas então, onde restaurar?

 

Por: Joaquim José de Freitas Neto e Gabriel Eduardo Fávero

 

Mesmo diante da crise econômica que assola o País, o estado de Pernambuco se destaca pela sua capacidade de atrair investimentos e gerar novos negócios. Nos últimos anos, o setor industrial tem ganhado forte protagonismo no estado, com ações que vão desde a requalificação do Complexo Industrial Portuário de Suape, no litoral sul, à atração de empreendimentos industriais como a fábrica da FIAT, no litoral norte.
Um fator-chave no processo de instalação desses e de outros empreendimentos é o licenciamento ambiental. A partir das suas diversas exigências, o licenciamento funciona como uma ferramenta que serve, sobretudo, para controlar potenciais impactos ambientais decorrentes da instalação e operação dos mais variados tipos de empreendimento.
Não raramente, esse processo faz com que sejam realizadas ações de restauração florestal, principalmente quando há a supressão (derrubada) de vegetação nativa, como por exemplo, aquelas realizadas para a instalação de plantas industriais.
Neste caso, o agente que realiza a supressão deve escolher uma área próxima àquela que foi suprimida e reflorestá-la como forma de compensação. A área escolhida precisa, todavia, ser aprovada pela agência de meio ambiente do estado, que irá analisar a sua importância ecológica em um contexto regional.
Aí é que começa o problema: Onde realizar a restauração florestal nesses casos?
Muitas vezes, não se sabe onde estão localizadas as áreas disponíveis para realizar a reposição florestal. Em alguns casos, a reposição florestal pode ser direcionada para o interior de Unidades de Conservação (UCs), como parte de uma importante estratégia para o incremento de sua área de floresta.
 Ocorre, entretanto, que as UCs que possuem uma maior quantidade de informações a respeito da disponibilidade de áreas para ações de restauração acabam por concentrar a maior parte das compensações florestais, quando comparadas com outras UC´s de igual importância ecológica, mas com menor quantidade informações disponíveis.
Nesse sentido, surge a importância e a necessidade de se ter conhecimento acerca da disponibilidade de áreas para a restauração florestal dentro dos limites das Unidades de Conservação do estado de Pernambuco. Esse tipo de informação pode fazer com que as ações de compensação florestal sejam distribuídas de forma mais equilibrada entre as várias UCs do estado beneficiando, sobretudo, àquelas que estão mais necessitadas desse tipo de intervenção.
Surgiu assim a ideia de se construir um banco de áreas para ações de restauração, a partir do diagnóstico de uso e ocupação do solo das Unidades de Conservação do estado de Pernambuco.
 A iniciativa teve início a partir de um edital lançado com recursos provenientes do Fundo de Compensação Ambiental do Estado de Pernambuco. O projeto vem sendo executado pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) e tem como objetivo mapear os usos e ocupação do solo, compor listas de informação florística e indicar estratégias de restauração para as áreas degradadas em 42 UCs do estado. A ideia é que com a finalização do projeto, prevista para janeiro de 2016, essas informações passem a integrar o Sistema de Informações geoambientais de Pernambuco (CABURÉ), e estejam disponíveis para acesso público, de modo que os agentes que necessitem de áreas para a restauração, sobretudo em função de reposição florestal, possam se utilizar dessa informação. Espera-se, igualmente, que essa ferramenta para que os técnicos da agência estadual possam indicar aquelas áreas mais necessitadas de iniciativas de restauração, facilitando tanto a vida daqueles que demandam áreas para cumprir seu passivo ambiental, quanto dos técnicos, na avaliação e ponderação de projetos de restauração florestal, no sentido de se direcionar iniciativas àquelas UCs com maior necessidade dessas intervenções.

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